Com a proposta de alfabetizar 11 mil pessoas em Belém, o Grupo de Trabalho (GT) do Centenário de Paulo Freire visitou neste sábado, 14, o Núcleo de Educação Popular (NEP) “Raimundo Reis” e iniciou a mobilização de alfabetizadores na cidade. O Centenário é uma ação da Prefeitura de Belém em parceria com outras secretarias municipais, universidades e movimentos sociais. O NEP fica localizado no bairro do Benguí e há mais de 30 anos busca promover o direito à educação e à cidadania aos moradores. Educadores populares de diversos bairros de Belém participaram do encontro.
A coordenadora da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), da Secretaria Municipal de Educação (Semec), Taíssa Barbosa, que está à frente do GT pela Semec, apresentou a proposta do Centenário de Paulo Freire e citou as primeiras ações do plano de alfabetização de Belém que serão realizadas ainda em 2021, entre elas a contratação de alfabetizadores e mobilização para formação de turmas para 2022.
A Prefeitura de Belém pretende resgatar o movimento de alfabetização a partir da celebração, em 19 de setembro, do Centenário de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, promovendo uma revolução ao fazer valer um direito humano. “O movimento é de resistência. Com base no legado freireano, vamos ensinar a ler, escrever, mas também formar politicamente as pessoas, para exercerem a sua cidadania de forma plena” enfatizou Taíssa.
Ela ainda ressaltou que este é o primeiro encontro de mobilização e divulgação do novo movimento de alfabetização em Belém, começando pelo bairro do Bengui, que já foi protagonista, anos atrás, no projeto de Mobilização de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA). Segundo dados do Cadastro Único (Cad Único), em 2020, o bairro do Bengui tinha 351 pessoas que, por algum motivo, não frequentaram ou deixaram a escola e, agora, este número pode ser maior.
Açoes – As primeiras ações práticas começam este ano, com a contratação de alfabetizadores, prevista para setembro. Nos meses de outubro e novembro, os alfabetizadores contratados farão uma mobilização pelos bairros de Belém para cadastrar pessoas interessadas a ingressar nas turmas de 2022. Inicialmente, a inscrição será pela internet e selecionará a partir da avaliação de currículo, memorial de experiências em alfabetização de jovens, adultos e idosos; e por fim da entrevista. Os alfabetizadores passarão por formação inicial e permanente.
O Plano de Alfabetização de Belém irá trabalhar com duas metodologias, a primeira, freireana, que utiliza o universo vocabular das pessoas e temas geradores, a partir da realidade de cada indivíduo, com atividades de círculo de cultura e diálogos, fazendo a formação política. A segunda, é o método cubano chamado “Sim, posso”, que trabalha com recursos audiovisuais e círculos de cultura, e será desenvolvido, em especial, pelos movimentos sociais, mesclando com a filosofia freireana.
Educação popular – Durante o encontro, educadores populares relataram suas experiências e aceitaram o desafio de alfabetizar Belém. A pedagoga, Maria do Livramento Ferreira de Avis, coordenadora pedagógica do NEP Raimundo Reis, acredita que a proposta do Centenário reforça o compromisso da entidade que, historicamente, vem desenvolvendo no bairro do Bengui com a alfabetização de jovens e adultos. “Hoje o nosso papel é mobilizar as entidades populares e educadores, para ingressar neste movimento”, destacou.
“Acredito que o movimento é muito importante para o desenvolvimento social neste momento que estamos vivendo que requer um olhar solidário, que Paulo Freire ensinava como você fazer a diferença na vida do outro. Você tem que acreditar e mostrar para as pessoas que a vida dela vai mudar, a partir do momento que ela tem educação”, disse Lúcia Campos, pedagoga que participou do Mova no Guamá, Terra Firma e hoje atua no Tenoné.
Centenário Paulo Freire – Por meio da Portaria Conjunta nº 001/2021, ficou estabelecido a programação do “Centenário de Paulo Freire” com a proposta de tornar “Belém, cidade alfabetizada e educadora” e a intenção de declarar “Belém, território livre do analfabetismo”. O centenário está embasado na Constituição Federal de 1988, na Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; na Lei nº 13.005/2014, do Plano Nacional de Educação; no Marco de Ação de Belém, de 2009, e na Lei nº 12.612/2012, que declara Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.
O Grupo de Trabalho (GT) é composto por representantes da administração municipal a Secretaria Municipal de Educação (Semec), Fundação Escola Bosque (Funbosque), Conselho Municipal de Educação de Belém (CME), Secretaria Extraordinária de Cidadania e Direitos Humanos (SECDH), Fundação Cultural do Município de Belém (Funbel), Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Fundação Municipal de Assistência ao Estudante (FMAE), Secretaria Municipal de Coordenação Geral do Planejamento e Gestão (Segep); e Secretaria Municipal de Administração (Semad).
Com a adesão da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Instituto Federal do Pará (IFPA); movimentos sociais e de classe, com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Belém (Sintepp/Belém), Movimento Sem Terra (MST), Rede Emancipa – Movimento Social de Educação Popular, Instituto Universidade Popular (Unipop), Movimento República de Emaús e outras instituições com a Secretaria de Administração Penintenciária (SEAP), Núcleo de Educação Popular Raimundo Reis (NEP), a Faculdade Integrada Brasil Amazônia (FIBRA).
Texto: Tábita Oliveira