A Prefeitura de Belém, por meio do Banco do Povo, iniciará na próxima segunda-feira, 7 de março, véspera do Dia Internacional da Mulher, os cursos de qualificação profissional do “Donas de Si” na ilha de Outeiro, com 80 vagas.
Já na terça e quinta-feiras, 8 e 9 de março, os agentes de crédito do Banco voltarão ao distrito para fazer o levantamento socioeconômico dos donos de barracas de praia que estão habilitados a receber o crédito solidário (microcrédito) com juro zero. Ao todo, a Prefeitura dispõe de R$ 1 milhão para o crédito solidário na ilha.
A qualificação profissional e o crédito solidário integram o pacote de medidas emergenciais da Prefeitura para Outeiro após o acidente que levou à interdição da ponte de acesso ao continente.
Samuel Costa Silva, 55 anos, que possui uma barraca na Praia Grande há 25 anos, conta que o segmento ficou em dificuldade porque o acidente na ponte afetou o turismo na ilha.
Capital de giro emergencial
"Praticamente paramos. O Governo do Estado e a Prefeitura estão dando uma resposta bem rápida pra gente. Fiquei bem otimista porque nós precisamos dessa força. Sozinhos, não teríamos como sobreviver". Ele quer obter empréstimo para capital de giro do empreendimento. "Hoje, a expectativa é bem melhor do que durante a pandemia", comparou.
O Banco do Povo já reuniu com pequenos empreendedores interessados em obter o crédito, em Outeiro, e está iniciando o atendimento pelos donos de barracas de praia, afetados pela queda do fluxo de turistas. Já foram realizadas reuniões de formação com essas pessoas, repassando informações técnicas sobre a tomada do crédito e orientações para a formação de grupos de aval solidário.
“Com o aprendizado do Donas de Si, as pessoas poderão obter renda no dia seguinte, se esse for o desejo delas. Em seguida, será apresentado o crédito solidário para elas. Nosso objetivo é apoiar a autonomia financeira através do estímulo ao empreendedorismo e à geração de renda”, destaca a coordenadora-geral do Banco do Povo, Georgina Galvão.
Qualificação
O Donas de Si está levando para Outeiro os cursos de Panificação Artesanal e Bolos e Doces (para festas). O programa é voltado a mulheres em condição de vulnerabilidade social, especialmente as beneficiárias do programa de renda cidadã Bora Belém. As aulas serão ministradas pelas instrutoras do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) na cozinha da Escola de Pesca da Fundação Escola Bosque (Funbosque), no bairro de Itaiteua.
Isabela Souza, de 20 anos, conta com o Bora Belém como única fonte de renda para criar o filho de um ano e nove meses. "Estou no Bora Belém há três meses. Tá dando pra sustentar meu filho. Antes eu não tinha nenhuma renda, só o pai dele pra dar as coisas. Agora, que eu tô conseguindo". Isabela ficou interessada em fazer o curso de bolos e doces para festas e planeja produzir dentro de casa para vender.
"Achei ótimo. Quero fazer panificação", contou Adriele dos Santos Almeida, de 22 anos, ao conhecer o Donas de Si. Ela mora com a mãe e também tem o Bora Belém como única fonte de renda para criar a filha, que tem menos de um ano. "Eu também tenho uma irmã pra me ajudar a vender pão em casa", contou.
Certificado com validade nacional
As alunas serão divididas em quatro turmas (com 20 alunas cada) distribuídas nos turnos da manhã (das 8 às 12h) e da tarde (das 13 às 17h). Os cursos têm duração de 40 horas-aula e emissão de certificado com validade nacional. A programação inclui a palestra da equipe de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), que orienta a população sobre cuidados de higiene e de conservação nutricional para a emissão da carteira de manipuladores de alimentos.
A seleção das alunas foi feita por meio do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) de Outeiro, da Fundação Papa João XXIII, com o acompanhamento do Banco. A direção da Funbosque cedeu uma van para o transporte das alunas entre a sede da fundação, no bairro São João do Outeiro, e a Escola de Pesca. Outro parceiro da iniciativa é a Administração Regional de Outeiro (Arout).
Texto: Enize Vidigal