A violência doméstica é um tema que vem sendo a cada dia mais abordado como uma questão de saúde. Em 2014, até o mês de outubro, os órgãos de saúde pública municipais e estaduais já notificaram 787 casos de violência contra a mulher em Belém, principalmente na faixa etária de 5 a 29 anos. A maioria das ocorrências é cometida por pessoas próximas, como amigos, pais e ex-companheiros, e resultam, principalmente, em violência sexual e/ou física.
Debater esses agravos no âmbito da saúde e capacitar os profissionais da área para o atendimento às mulheres em situação de violência, com foco em ações de promoção e prevenção, foram os objetivos da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), por meio da Coordenação de Doenças e Agravos não Transmissíveis, do Departamento de Vigilância em Saúde (Devs/Sesma), durante ciclo de palestras ocorrido nesta sexta-feira, 06, no auditório da Uepa.
Cerca de 100 profissionais de toda a rede de saúde municipal, estadual e militar participaram do evento. De acordo com Maisa Moreira, coordenadora da capacitação, o encontro destacou o trabalho intersetorial dos serviços, o que inclui o atendimento jurídico, policial, psicossocial e de saúde. Por isso, a necessidade de fortalecer a rede e ampliar o atendimento a essas mulheres.
“O aumento de casos registrados de violência contra a mulher deve-se, principalmente, à coragem dessas pessoas em denunciar sua agressão e seus agressores. Também mostra que os profissionais de saúde estão cada vez mais sensibilizados com a causa. Quando o profissional notifica o caso, ele está estendendo a mão para essa mulher em situação de violência. Ele está mostrando a ela que há outros caminhos e que os serviços estão funcionando e estão prontos para acolhê-la. Com os dados levantados, podemos ver que a Santa Casa, por meio do Propaz, é quem faz o maior número de registros, o que mostra a ocorrência de violência contra a mulher ainda na infância”, explicou Maisa.
Texto: Paula Barbosa