Foram cinco anos sofrendo até tomar a decisão de por fim à violência doméstica. “Tive coragem de acabar com a dor. Procurei a delegacia e eu mesma contei tudo que passei ao logo desse tempo”. O relato é de uma mulher de 25 anos acolhida na Casa Abrigo Emanuelle Rendeiro Diniz (Caerd), um serviço da Fundação Papa João XXIII (Funpapa) que tem o objetivo de garantir acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência doméstica ameaçadas de morte e encaminhadas pela Divisão Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), do município de Belém.
Em 2014, foram 64 mulheres atendidas no abrigo. Um total de 134 pessoas contando com os filhos que acompanham as mães na maioria dos casos. Os dados são do Núcleo de Vigilância Socioassistencial da Funpapa. O serviço da Caerd existe desde 1997, e funciona em caráter sigiloso, visando contribuir para o atendimento integral das mulheres, seus filhos e familiares.
O trabalho do abrigo foi apresentado na IV Mostra Casa Lilás, ocorrida nesta terça-feira, 25, Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. A programação aconteceu no Shopping Pátio Belém e incluiu atividades educativas, exibição de vídeos e poesias, além de apresentações musicais.
Panfletos e cartilhas sobre a Lei Maria da Penha foram distribuídos durante a programação. O objetivo foi mobilizar a sociedade a respeito da problemática da violência doméstica contra a mulher.
Marcinete Amorim conhece de perto a realidade de quem sofreu esse tipo de violência. “Minha irmã viveu anos em silêncio sendo agredida pelo marido. A família percebeu e ofereceu ajuda. Ela precisou mudar de cidade para recomeçar a vida”, contou. “Por isso, a informação é tão importante. Infelizmente falta coragem até porque o medo de quem passa por isso é muito grande”, concluiu.
Para a coordenadora da Caerd, Carlota Tourão, prevenir a continuidade das situações de violência por meio de ações socioeducativas é fundamental no processo de mudanças. “É preciso cuidar do agressor e articular o desenvolvimento da mulher, oportunizando o fortalecimento pessoal e social dela”, explicou.
A programação da Funpapa em alusão ao Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher encerra-se na próxima sexta-feira, 28, com um seminário, às 8h30, no auditório Desembargador Wilson Marques, no Fórum Criminal de Belém.
Texto: Denise Soares