Consideradas o coração de qualquer escola de samba, as baterias dão o tom dos desfiles carnavalescos. Empolgando brincantes, passistas e principalmente o público, o som que sai das cuícas, chocalhos, surdos, repiques e tamborins os ritmistas e mestres de bateria precisam de muito preparo para garantir o espetáculo na avenida.
De olho no Carnaval 2015, a Fundação Cultural de Belém (Fumbel) promoveu gratuitamente a primeira oficina para formar novos mestres, nos distritos de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro. O aquecimento deu certo e despertou o interesse de quem vive o samba e terá a oportunidade de mostrar o trabalho este final de semana durante os desfiles oficiais das escolas dos distritos de Belém.
O repasse de conhecimento dos mais velhos para os mais novos, tem sido a tradição na formação e renovação das baterias de escolas de samba locais, pelo menos, em sua maioria. Quem ainda não teve a oportunidade de compreender mais sobre os segredos de cada instrumento, encontrou na oficina o que precisava.
Olavo Araújo, presidente da Associação Carnavalesca Arco-Íris de Outeiro, até sabia quando alguma coisa não dava certo nos ensaios dos ritmistas da escola, mas não compreendia o que era. Depois de participar da oficina, ele conta que poderá ajudar melhor na preparação da bateria.
“Eu assistia aos ensaios e sabia que algo não estava dando certo, mas como não entedia do assunto tinha que perguntar para outra pessoa. Agora não, com o que eu aprendi na oficina vou poder participar também”, comentou Olavo.
Ele conta porque se inscreveu no curso e o que pretende fazer a partir de agora. “Na realidade, eu me inscrevi depois que fui matricular dois ritmistas nossos. Me interessei justamente para poder conhecer melhor do assunto. Gostamos muito da ideia de preparar ritmistas e estamos coma intenção de formar uma escolinha de ritmistas para crianças e jovens de 10 a 18 anos de idade, já pensando no carnaval do ano que vem”, confessou.
Quem também vai aproveitar para aplicar os novos conhecimentos no desfile deste ano é o presidente da escola de samba Parafuseta de Caratateua, Antônio Batalha. “Esta foi uma iniciativa maravilhosa da Fumbel. Procurei essa formação para poder debater com o mestre de bateria o resultado que eu queria. Inclusive já estou vendo com eles para acrescentarmos um ‘ataque’ de tamborim para o samba ficar mais circular”, comenta cheio de propriedade no assunto.
Com aproximadamente 30 anos de Carnaval, Pedro Paulo dos Santos Júnior, também conhecido como maestro Paulo “Black”, demonstra que vive o samba com muita paixão. O mestre já passou por diversas escolas de samba de Belém e de outras cidades paraenses e comprova que a experiência, além da paixão, está inserida em sua relação com o ritmo.
Com todo o conhecimento adquirido ele foi convidado a ministrar a oficina de treinamento para mestres de bateria, com aulas práticas e teóricas. No workshop, foram abordados diversos assuntos como o conceito de cada instrumento que compõe a bateria de uma escola de samba, a distribuição harmônica, o desenvolvimento e as funções de cada instrumento.
Na opinião do mestre, o curso foi proveitoso e deveria ser realizado em todas as agremiações, de forma a se estender pela região metropolitana. “Se todas as agremiações promovessem esse workshop, os problemas com deslocamento e horário seriam amenizados e facilitariam a participação de um maior número de pessoas”, explica.
Para Marcos Marques, diretor cultural da Fumbel, o curso alcançou as expectativas da fundação e despertou a dedicação dos participantes. O diretor conta que a motivação de realizar a oficina surgiu após uma reunião entre os distritos de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro e a presidente da Fumbel, Heliana Jatene. A principal ideia era qualificar pessoas para ocupar os cargos na bateria das escolas de samba e, assim, diminuir o custo das agremiações com o contrato de mestres e músicos para compor a equipe de bateria.
De acordo com Marcos, a fundação realizará um novo curso para bateristas no mês de novembro e que, desta vez, será aberto para outras agremiações. Ele comenta, também, sobre futuras ações da Fumbel. “Para atingir um número cada vez maior de pessoas e qualificá-las para atuar nas escolas, pretendemos realizar o curso em outras agremiações. Além do curso de bateria, existe a ideia de promover a capacitação para novos mestres-sala e, também, para outros cargos da escola de samba, a fim de que elas se desenvolvam como um todo”, conclui.
Programação:
Carnaval em Outeiro:
DESFILE DE BLOCOS: 15 e 16/02, às 20h
DESFILE DE ESCOLAS DE SAMBA: 17/02, às 20h
Rua Franklin de Menezes
Carnaval de Mosqueiro:
CARNA ORLA (Chapéu virado ao Farol): dias 14,15,16, 17 E 18/02 – Apresentação de Bandas de Fanfarras e desfile de Blocos alternativos.
PALCO DA VILA E CARANADUBA: Show com a Banda B3, Grupo Algo Mais, Banda K3, Companhia do Axé, Banda K- Capricho, Carlinho do Samba e Cia e DJ´s Sanderson E Fabrício.
CORREDOR DA FOLIA:
14/02 (sábado): Apresentação dos Blocos de Empolgação: Camarão na Folia, As Peruas, Banco dos Cornos, Calopsitas, Os Caninbais, Lima Limão, Tô na Onda e Bacu de Sunga.
15/02 (DOMINGO): Concurso das Escolas de Sambas: Os Piratas da Ilha, Os Peles Vermelha, Estação 1ª de Maracajá.
BAIA DO SOL: 16/02 (segunda-feira) – Desfile de blocos Alternativos Bloco “Unidos da Camboinha”, “Do Dado”, “Xeraki”, “Vai Quem Quer”, “Baby Sol”, “Chuva Pitiú E Cachaça”, “Cobra Não Morde Pica”, “Filhos do Sol”, “Galo da Madrugada”, “A Grande Família”, “Ninguém é de Ninguém” e “ Bosquinho do Ipixuna”.
CARANANDUBA: 17/02 (terça-feira) – Desfile de Blocos Alternativos “Mamute na Folia”, “Lingua de Jambú”, “Os Boiolas na Folia”, “ União Araraense” e “Siri Em Penca”.
*Com contribuição de Ewelin Gamelas.
Texto: Dandara de Almeida