De acordo com dados da pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, de 2014, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e por instituições privadas, 70% das mulheres brasileiras desejam ter um parto normal, mas não são apoiadas pela família e profissionais de saúde. A consequência é o aumento do número de cesarianas realizadas no país, que hoje chega a 52% dos nascimentos na rede pública e 88% na rede privada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é de que apenas 15% dos partos sejam realizados por meio de procedimento cirúrgico.

Para incentivar o parto normal e preparar a mulher para este momento, o grupo “Gestação Saudável” da Unidade Municipal de Saúde (UMS) da Marambaia realiza uma série de cursos e palestras para as futuras mãezinhas. Em atividade desde abril de 2014, mais de 200 gestantes, a partir do 2º mês, já participaram dos encontros semanais para orientação com práticas corporais para o parto e saberes sobre gestação, coordenados pelo setor de fisioterapia da UMS.

O grupo se reuniu nesta quinta-feira (28), Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna e Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher para uma programação especial, que ainda faz parte da 4ª Semana do Bebê de Belém, com debate sobre sexualidade na gravidez.

“Em cada encontro realizamos uma roda de conversa com diversos temas, como as alterações corporais da gravidez, tipos de parto, principais queixas e implicações para gestantes, aleitamento materno, cuidados com o bebê e o que mais surgir durante o bate-papo. Temos a preocupação de sempre convidar um profissional de acordo com o tema escolhido para a semana”, explicam as fisioterapeutas Tatiane Bahia e Crislayne Freitas, responsáveis pelo grupo.

Após a roda de conversa é realizada a prática corporal, com exercícios que ajudarão a mãe no momento parto, além de controlar dores, e alongamento. “Nosso objetivo é conscientizar as gestantes e favorecer a gestação o mais próximo possível do parto humanizado, conforme preconiza o Ministério da Saúde, dentro da Política Nacional de Humanização”, destaca Tatiane.

Para as mulheres envolvidas no grupo, os ganhos obtidos consistem em um melhor conhecimento sobre o momento que estão vivendo. “No curso aprendemos mais sobre a gravidez, trocamos experiências e dúvidas, além de formarmos um grupo de amizade. As profissionais são excelentes e nos dão muito apoio. Eu quero muito ter o parto humanizado porque ele contribui para a saúde do bebê. Espero conseguir. Agora é controlar a ansiedade”, conta a grávida Mikaele Jorge Dias, 17 anos, que está à espera de Luiza.

Esperando a segunda filha, que se chamará Graziela, Keyla Sousa, 34 anos, grávida de seis meses também está com grande expectativa pelo parto humanizado. “Este grupo faz a diferença pelo seu acolhimento. Todo o meu pré-natal está sendo feito aqui na unidade e fui muito bem atendida desde o início da gravidez. É um trabalho diferenciado, que está me dando muito apoio. Estou fazendo todas as aulas porque quero tentar o parto humanizado, quero conhecer o hospital antes”, diz a futura mamãe.

O grupo conta com apoio dos residentes da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e de alunos da graduação do Cesupa. As aulas acontecem semanalmente e podem participar gestantes cadastradas em qualquer unidade de saúde.

A programação da UMS Marambaia para a 4ª Semana do bebê também teve apresentação do grupo de teatro Envelheçarte, com a peça “The Voice Amazônia”, cuja temática foi adaptada para a mães e filhos, com assuntos como aleitamento materno e saúde da criança.

Também foram realizados testes rápidos de HIV, hepatites virais e sífilis, orientações sobre cuidados domésticos com crianças, intensificação da vacinação, entre outros.

Texto: Paula Barbosa