Vítor Hugo, 16 anos, morador do bairro Parque Verde, no distrito Bengui (Daben), afirma ser importante as crianças e adolescentes serem escutados. Por esse motivo, ele fez questão de marcar presença na oficina de Desenvolvimento de Competências e Habilidades no Solar da Beira, destinada para 23 conselheiros da cidade eleitos pela setorial Crianças e Adolescentes do Programa Tá Selado.
“Tudo que engloba o adolescente e o jovem afeta diretamente a nós. É importante essa oficina para nos trazer o conhecimento da realidade, ser ouvido e poder falar das propostas tanto criança, quanto adolescentes”, disse o jovem.
Ele esteve na manhã desta quinta-feira, 18, no Solar da Beira, durante a realização da capacitação, promovida pelo Fórum Permanente de Participação Cidadã Tá Selado e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A consultora do Unicef Belém, Thaissa Scerne, explica que a oficina é um momento de escuta sobre participação social. “O objetivo é escutá-los de forma qualitativa com metodologias que desenvolvemos para este momento. Com isso, fortalecer a participação e o protagonismo deles dentro do Tá Selado”.
Grupos – Durante a programação da manhã, os participantes foram divididos em grupos e puderam expor a realidade de seus bairros. Também receberam informações de educação sexual e de políticas públicas de saúde, na explanação feita pelo coordenador da referência técnica IST/HIV/Aids, da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Edgar Barra.
Edgar chamou a atenção do público jovem, por exemplo, ao informar que Belém lidera o ranking entre as capitais na detecção de casos de Aids em crianças menores de cinco anos, observando que essa transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê) é quatro vezes mais que a média nacional.
Para Isabela Santorini, do Tá Selado, “a oficina também visa a formação política e social dos participantes, na perspectiva de atuação como conselheiros dentro de seus distritos”.
Marcos Silva, da coordenação do Tá Selado, adiantou que será elaborado um calendário de atividades para essa setorial no processo de participação cidadã.
“A gente vai montar uma agenda de formação, organizar os fóruns de crianças e adolescentes nos bairros e distritos, para discutir a cidade e ilhas a partir da visão e da ideia deles e delas, e propor políticas públicas que possam melhor a qualidade de vida”.
Texto: Álvaro Vinente