Educadores de dez escolas municipais de Belém apresentaram aos representantes do Instituto Rodrigo Mendes e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, os resultados do Projeto Portas Abertas para a Inclusão, implantado este ano na rede municipal de ensino. O encontro foi realizado no auditório do Núcleo de Informática Educativa da Semec, nesta terça-feira, 20, e teve como objetivo mostrar como se deu a implantação do projeto em cada escola e seus resultados em relação às ações adotadas para a inclusão de alunos com deficiência.
De todo o país, apenas 15 capitais foram selecionadas para receber o Portas abertas, iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes em parceria com o Unicef e Fundação Barcelona, para uso da educação física e do esporte como forma de promover a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência nas escolas. O critério para a escolha da capital paraense foi a participação da cidade na Plataforma dos Centros Urbanos.
O projeto oportunizou a cada escola avaliar a melhor forma de incluir alunos com qualquer tipo de deficiência e a pensar em novas metodologias de trabalho. Jogos cooperativos, oficinas, palestras, atividades culturais e pedagógicas foram algumas das atividades realizadas nos espaços.
Na escola Municipal Antônio Carvalho Brasil, por exemplo, os educadores descobriram que as barreiras para a inclusão não eram físicas e sim sociais por parte dos responsáveis dos alunos. Desta forma, teve início uma série de atividades que buscaram aproximar família e escola.
“Nós sentíamos que não havia exclusão dos alunos com os estudantes com deficiência e sim um olhar diferente por parte dos pais dos alunos ditos como ‘normais’ quando tínhamos, por exemplo, uma programação especial na escola”, reilatou a professora de educação física, Liane Lago. Para criar um novo olhar na perspectiva da inclusão, a escola realizou torneios esportivos e palestras sobre os direitos das crianças e adolescentes.
No encontro de avaliação do projeto, os educadores também apresentaram o projeto “Miniatletismo Escolar: uma proposta de inclusão na escola Terezinha Souza”, onde os alunos realizam oito atividades distintas: corrida com obstáculos, salto em altura, corrida de revezamento, salto sobre pneus, salto com vara, arremesso de dardos, arremesso de peso e salto triplo. “O mini atletismo já existia desde 2013, mas com a ajuda do Portas Abertas, ganhou uma nova dimensão. Hoje, existe a sensibilização de todos da comunidade escolar. Agora, os pais acompanham mais os seus filhos, já descobriram que todos eles são capazes”, explicou o idealizador do projeto e professor de educação física, Itair Medeiros.
Coordenador do Projeto Portas Abertas, Luiz Henrique Conceição, parabenizou o envolvimento de todos os que desenvolveram o projeto e o desdobramento do Portas Abertas teve na cidade. “Belém teve um desenvolvimento excelente do projeto, tanto que 100% dos cursistas foram aprovados. Todos seguiram firmes do início ao final e surgiram ideias brilhantes. Eu, como coordenador, fico muito feliz por isso. É um desempenho, uma dedicação e admiração pelo trabalho elaborado. Só temos a agradecer a participação da Secretaria pelo feito”, afirmou.
Rosilene Baracho, conta que o filho sempre gostou muito de ir para a escola, para receber o Atendimento Educacional Especializado, dado aos alunos com deficiência nas escolas públicas de Belém. Mas, a partir do miniatletismo foi que Douglas Baracho passou a se relacionar mais com os outros espaços e colegas da escola e, também, a se interessar pela atividade física.
“Antes ele não conseguia fazer nada. Há três anos na escola e participando do miniatletismo, ele já alcançou muita coisa. Ele está muito participativo, os colegas gostam muito dele e respeitam. No caso dele, fazer uma atividade física é fundamental”, defende a mãe do aluno que possui baixa visão, hiperatividade e deficiência intelectual.
Para a Secretária Municipal de Educação, Rosinéli Salame, o Projeto Portas Abertas para a Inclusão somou-se às ações já realizadas pelo município para agregar a pessoa com deficiência dentro da escola. “É sempre uma preocupação da gestão a inclusão destes alunos, fazer com que eles se sintam amados e incluídos. Todos os alunos merecem ser contemplados com o que de melhor nós possamos oferecer”, disse a Secretária.
Participam do projeto em Belém as escolas Amália Paungartten, do bairro do Guamá; Alzira Pernambuco, do bairro do Marco; Antônio Carvalho Brasil, do bairro da Condor; Cordolina Fonteles, do bairro da Pratinha; Parque Bolonha, do bairro de Águas Lindas; Padre Leandro Pinheiro, do Guamá; Palmira Lins de Carvalho e República de Portugal, ambas da Marambaia; Terezinha de Souza, do Castanheira, e Walter Leite Caminha, do bairro do Benguí.
Sobre o projeto
O projeto Portas Abertas para a Inclusão teve início em março e foi dividido em etapas. No primeiro momento dez escolas foram escolhidas e indicaram representantes nas áreas de Educação Física, Atendimento Educacional Especializado, Gestão Escolar e técnicos para receberem as formações realizadas pelo Instituto Rodrigo Mendes e Unicef simultaneamente em todas as cidades selecionadas. Em Belém, as formações ocorreram no Nied. Logo após esta fase, os representantes elaboraram e executaram projetos para a Educação Física inclusiva, em suas respectivas escolas.
Texto: Aline Saavedra