Stefanny Garcia tem apenas sete anos e já dá os primeiros passos para realizar o sonho de se tornar uma bailarina profissional. Ela é uma das alunas da Escola Municipal de Dança e se apresenta pela primeira vez no Theatro da Paz, com o espetáculo “Chapleando”. A estreia ocorreu na noite desta terça-feira, 15, e uma segunda noite de apresentação será nesta quarta-feira, 16, às 20h.
“Estou na escola há pouco tempo e é a primeira vez que danço em um palco, estou nervosa e muito feliz, gosto de dançar e quero fazer isso pelo resto da minha vida, ser uma profissional e sei que na escola eu só tenho a crescer”, comentou Stefanny emocionada.
O espetáculo “Chapleando” compõe a XXIII Mostra de Dança, inspirada no famoso artista do cinema mudo, Charlie Chaplin. A apresentação conta histórias cômicas com pitadas de muita emoção em mais de dez coreografias, interpretadas por mais de 300 alunos, entre crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência intelectual, cadeirantes. As idades variam de cinco a 80 anos.
A dona de casa Nazaré Cruz, mãe do Joarle César Cruz, de 13 anos não escondia a emoção em ver o filho com paralisia cerebral dançando em cadeira de rodas. Ele é motivo de orgulho para toda a família. “Desde o primeiro dia que ele entrou na EMD (Escola Municipal de Dança), há três anos, se encantou pela dança e não quer mais parar. É incrível como ele se tornou uma pessoa mais feliz e isso me deixa tão emocionada, ver o meu filho mostrando que é capaz, que nada é impossível para quem realmente tenta e faz acontecer. Hoje é um dia de muita emoção e orgulho para toda família e só tenho que agradecer a escola por essa oportunidade”, disse dona Nazaré, comovida.
O espetáculo aborda grandes obras de Charlie Chaplin contadas em forma de movimentos de dança. Destaque para as obras “Tempos Modernos”, “O Garoto” e “O Grande Ditador”. Os figurinos, cenários e trilhas sonoras também foram inspirados na época vivida pelo ator.
Foram sete meses de ensaio para o espetáculo de 1h20 sobre o poeta, ator do cinema mudo, roteirista e palhaço. De acordo com a coordenação da mostra, tudo foi pensado para passar ao público a histórica do artista com foco no amor, na solidariedade e na união.
Elisângela Beleza, professora e coordenadora geral do espetáculo e da Escola Municipal de Dança, falou de Chaplin como inspiração. “O tema já vinha sendo pensado há um tempo e esse ano nós resolvemos trabalhá-lo por abordar uma temática que fala do amor, dentro de uma dramaticidade toda sentimental e Charlie é um exemplo. A partir do momento que começamos a trabalhar a temática, todo mundo entra em processo de expectativa, pois o processo de construção e laboratório de movimento que fazemos com os alunos começam a criar essa ansiedade e a emoção e adrenalina é grande, é momento único na vida de todos”.
O titular da Sejel, Deivison Costa, esteve presente no Theatro da Paz e aprovou o resultado. “É um sonho para as crianças e todos os alunos se apresentarem nesse teatro tão bonito e com tantas histórias, além dos familiares que também nunca tiveram oportunidade de conhecer. A prefeitura vem investindo o ano inteiro nesse espetáculo de dança e o resultado é esse, um espetáculo maravilhoso. O mais bonito é ver que a dança agrega a todos, e nós temos espaço para acessibilidade, idosos, para mostrarmos que a dança é para todos”.
Raimundo Nonato de 76 anos, era um dos mais entusiasmados. Ele faz parte da Escola Municipal de Dança há 10 anos e diz que não pretende parar tão cedo. “É o segundo ano que me apresento, me preparei muito e estou feliz demais, ainda mais porque faço parte do momento em que Charlie encontra sua amada Georgia, uma cena linda e de muita emoção e amor”, pontuou Raimundo.
Quem assistiu ao espetáculo garantiu que pôde sentir a emoção dos dançarinos, como a dona de casa Socorro Almeida. “Tudo muito lindo e encantador, os bailarinos estavam lindos e as danças também, fiquei emocionada. Parabéns a todos os responsáveis por esta grande noite”, parabenizou.
A Escola Municipal de Dança
A Escola Municipal de Dança existe há 22 anos e atende mais de 300 alunos entre crianças, jovens e idosos, além de pessoas com deficiência (cadeirantes, síndrome de down, deficiências auditivas e intelectual).
Atualmente a Escola funciona na Aldeia Amazônica com sete professores, inclusive de iniciação musical. As aulas são diárias nos turnos manhã e tarde. A escola trabalha com dança moderna e contemporânea. O balé faz parte da grade curricular porque é considerado fundamental para a base. A Escola Municipal de Dança deu origem à Companhia Municipal de Dança, formada por alunos que se destacam nas aulas. Hoje, o grupo é formado por 12 bailarinos.
Todos os anos a Escola produz um espetáculo temático para mostrar os resultados do trabalho artístico.
Texto: Priscylla Gester