“Talvez os jovens de hoje não façam idéia do que realmente foi a década de 70 e 80. As histórias, vestimentas e até a linguagem, deixaram saudade. Mas hoje eu vim reviver esses tempos – bons tempos – aqui no cinema”. A declaração é da aposentada Francisca Simplício, de 73 anos, que mesmo sob forte chuva que caía na tarde deste sábado, 16, se dirigiu até o Cinema Olympia, para prestigiar a sessão “Curta 400 anos”, com a mostra de filmes gratuitos para a população, iniciativa da prefeitura municipal em parceria com a TV Liberal,

O projeto, uma homenagem pelos 400 anos de Belém, reuniu 12 filmes de diretores paraenses que retratam a cidade e o folclore da região por meio dos diversos gêneros: dramas, documentários e desenhos animados.

Joseane Baeta, que trabalha como balconista em uma loja, conseguiu largar o trabalho a tempo de ir em casa pegar as crianças para conferir os filmes exibidos na mostra. “Soube que hoje a sessão era gratuita, com classificação livre para as crianças, então trouxe minha filhinha e meu sobrinho”. Ela afirmou que ainda não tinha assistido a filmes paraenses e se disse animada com as histórias. “Tô rindo tanto quanto as crianças. É bem animado e com uma linguagem tipicamente nossa”, observou.

Cerca de 300 pessoas prestigiaram a exibição dos filmes Onda: A Festa na Pororoca; A Turma da Pororoca e o Rapto do Peixe Boi; Visagem!; As Mulheres Choradeiras; Invisíveis Prazeres Cotidianos; Ver-o-Peso; Açaí com Jabá; Matinta; Ribeirinhos do Asfalto; Matinta Perera; Quando a Chuva Chegar e Ópera Cabocla.

Para o jornalista, diretor e roteirista de “Matinta Perera”, Jorge Vidal, a exibição do curta, na semana em que Belém completou quatro séculos é a valorização da cultura, sotaque e raiz do povo. “É uma emoção grande cada vez que o filme é reexibido. E nesse local – cinema mais antigo do Brasil em atividade – é fantástico”, declarou.

Texto: Karla Pereira