A Agência Distrital de Mosqueiro (Admos) segue com programação especial da Semana da Consciência Negra, com exibição de filmes temáticos e exposição da indumentária de religiões de matrizes africanas, no Centro Cultural Solar das Artes, na praça Matriz. O encerramento das atividades será dia 26 deste mês, com caminhada dos estudantes nas ruas da ilha e na praça de Carananduba.
A semana abriu no sábado, 20, Dia da Consciência Negra, com desfile da beleza negra, rodas de capoeira e a 4ª caminhada de resistência, organizada por pais e mães de santo em homenagem aos orixás.
Mais de 30 casas de umbanda de Mosqueiro participaram da caminhada, que começou com ritual de limpeza das ruas e encerrou com tambor da resistência e oferenda aos orixás na praia do Chapéu Virado.
Durante o cortejo, o professor de história da rede municipal de ensino de Mosqueiro, Sebastião Vilhena, destacou a importância do ato como forma de abertura de diálogos e debates sobre o respeito à religiosidade de matriz africana.
Segundo ele, o Brasil é o país com maior concentração de população negra fora da África no mundo, no entanto, ainda mantém fortes manifestações de racismo e preconceito.
A morte de Zumbi dos Palmares, que originou a luta pelo combate ao racismo no país, também foi lembrada pelo professor. “A morte de Zumbi, que neste dia 20 de novembro é lembrada, marcou o início dessa resistência e precisamos levar adiante essa luta e essa caminhada faz parte disso”, disse.
A umbandista Heloisa Soeiro, a “Mãe Heloísa”, uma das homenageadas também se manifestou. Ela disse que ficou muito feliz ao ver seu trabalho, de mais de 30 anos, ser lembrado. Moradora do bairro das Mangueiras, disse que sua crença é baseada na caridade e amor ao próximo sem fazer distinção de raça, cor ou credo.
Já o Pai Mário de Ogum afirma que a comunidade quer “ser livre para cultuar, manter nossas tradições e praticar livremente nossa religião e homenagear nosso sagrado e nossos orixás, com profunda devoção e aceitação da nossa ancestralidade”.
Caminhada – A quarta versão do evento recebeu muitos convidados. O percurso foi rápido, saindo da avenida 16 de Novembro e chegando ao caramanchão da praia do Chapéu Virado, onde outras cerimônias de tambor foram realizadas em saudação aos orixás.
O colorido rico das indumentárias e a emoção de pais, mães e filhos de santo tomaram a avenida, derramando alegria e emocionando quem estava assistindo. “É uma emoção muito forte, pois há tempos não víamos um cortejo tão lindo assim”, disse a professora Luciana Martins.
A agente distrital Vanessa Egla, representou o prefeito de Belém Edmilson Rodrigues no ato e adiantou que na atual gestão municipal haverá sempre o respeito às manifestações religiosas de qualquer natureza.
Vanessa também discursou contra o racismo estrutural no Brasil e se dispôs a colaborar no debate e ações de combate à intolerância e outras formas de preconceito. A agente também agradeceu o apoio da Coordenadoria Antirracista (Coant) da Prefeitura de Belém para a realização da programação.
Quilombolas – Os estudantes da escola municipal de campo Angelus Nascimento, única no território quilombola do Sucurijuquara, também participaram da programação da Agência Distrital. A diretora Ivete Gomes Vale disse que o Dia da Consciência Negra é uma data importante também para se orgulhar da luta do povo negro.
“Temos muito que festejar também, porque temos avanços significativos. Nossa escola é uma conquista, já que foi oficializada no único território quilombola de Belém. Procuramos manter viva na memória de nossos alunos essa conquista e a importância de continuarmos lutando por novas políticas públicas de educação, saúde e valorização social do povo preto de Mosqueiro”, disse a educadora.
A programação da Semana da Consciência Negra de Mosqueiro se encerra na próxima sexta-feira, 26, com caminhada dos estudantes no bairro o Chapéu Virado, exposição e vendas de comidas típicas na praça do Carananduba e exibição de filmes temáticos para jovens e adolescentes.
A programação é gratuita e coordenada pelo diretor de Turismo e Eventos da Admos, Georgenor Kalife; o educador Rogener Peniche, diretor do Centro Cultural; e a assessora Alinne Pereira.
Para maiores informações, entre em contato com o Centro Cultural Solar das Artes, localizado na praça da Matriz, na Vila, das 8h às 14h.
Texto: Selma Amaral