Equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizam, nesta quinta-feira, 21, e sexta-feira, 22, a vacinação de alunos e servidores da Escola Municipal Remígio Fernandez, em Mosqueiro, contra a meningite. A imunização ocorre para a retomada das aulas na unidade na próxima segunda-feira, 25, conforme acordado com os pais dos alunos. A unidade também passou por um processo de limpeza na última terça-feira, 19, em uma ação conjunta com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), para garantir a proteção de toda a comunidade escolar.


A Sesma já esclareceu que o meningococo, agente causador da meningite, não sobrevive no ar ou em superfícies, o que torna desnecessária a interrupção das atividades escolares. A recomendação da secretaria é a manutenção das práticas habituais de limpeza e higiene, sem a necessidade de adoção de medidas excepcionais.


Caso de meningite em Mosqueiro – No início de novembro, foi registrado um caso de meningite bacteriana do tipo meningocócica, sorotipo B, em um adolescente de 14 anos em Mosqueiro. Ele segue internado com quadro clínico estável. Em 15 de novembro, um novo caso suspeito foi identificado em uma criança de cinco anos, que também está internada, com estado de saúde considerado estável. Embora ainda não haja confirmação oficial, o caso é classificado como sugestivo de meningite meningocócica, e a Sesma aguarda o resultado final dos exames.


Providências imediatas – Em resposta aos casos, a Sesma iniciou uma investigação rigorosa e implementou medidas de quimioprofilaxia – uso de antibióticos para prevenir a infecção – em todas as pessoas que tiveram contato direto com os pacientes, incluindo alunos da escola onde estudam. 

União com a comunidade – A Secretaria de Saúde também realizou reuniões com os pais e a comunidade escolar para esclarecer o que é a meningite, formas de transmissão e a importância da vacinação para prevenir a doença. A colaboração entre a Sesma, a Semec e os moradores tem sido fundamental para evitar a desinformação e enfrentar a situação com segurança.


O que é a meningite – A meningite é uma doença grave que causa inflamação nas membranas que envolvem o cérebro, podendo ser provocada por diferentes agentes, como bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Os sintomas incluem dor e rigidez na nuca, febre alta, dor de cabeça, manchas avermelhadas pelo corpo, convulsões e vômitos. Dada a gravidade da doença, é fundamental que a população busque atendimento médico imediato ao identificar esses sinais.


Tipos e formas de transmissão – A meningite pode ser causada por infecções virais ou bacterianas, com variações na intensidade dos sintomas. Na maioria das vezes, a meningite viral apresenta um quadro clínico mais leve e de evolução benigna. Por outro lado, a meningite bacteriana é a forma mais grave e pode levar a sequelas permanentes ou até mesmo à morte.


A enfermeira Mara Letícia, responsável técnica pelo controle da meningite da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), explica que a meningite é transmitida principalmente por meio do contato com secreções respiratórias de pessoas contaminadas. “A meningite bacteriana se espalha por gotículas e secreções do nariz e da garganta de pessoas infectadas, sejam elas sintomáticas ou assintomáticas. As outras formas de meningite podem ser transmitidas de maneiras variadas, dependendo do agente causador”, detalha.


Casos registrados – Até o momento, Belém registrou 203 casos de meningite em 2024, com 4 mortes confirmadas e uma em investigação. Os casos envolvem diferentes tipos da doença. Em 2022, Belém registrou 242 casos confirmados de meningite e em 2023, 312 casos. A Sesma destaca que o número de casos deste ano está dentro do estimado, levando em consideração a análise da série histórica dos últimos dez anos. A meningite é considerada uma doença endêmica no Brasil, com ocorrência durante o ano todo, mas na região Norte, especialmente no inverno amazônico, a incidência tende a ser maior.


Fatores ambientais de risco – Ambientes abafados, úmidos e mal ventilados aumentam o risco de disseminação da doença. Esses locais favorecem a circulação de partículas contaminadas no ar e facilitam o contágio, especialmente em espaços fechados com grande concentração de pessoas.

A falta de circulação de ar e a baixa exposição à luz natural criam condições ideais para a proliferação de vírus e bactérias. Por isso, é essencial garantir a ventilação adequada de ambientes e evitar aglomerações em locais fechados. Manter os espaços arejados e limpos pode reduzir o risco de contágio, além de contribuir para um ambiente mais saudável para todos.


Importância da vacinação – A principal forma de prevenção contra a meningite é a vacinação. De acordo com o calendário nacional, a vacina meningocócica C, que protege contra o sorotipo C da meningite bacteriana, é administrada em duas doses, aos 3 e 5 meses de idade, com um reforço aos 12 meses. A vacina Meningocócica ACWY, que oferece proteção contra quatro sorotipos (A, C, W e Y), é aplicada em adolescentes de 11 a 14 anos. Em 2024, houve um desabastecimento temporário da vacina Meningocócica C, mas que ela está sendo substituída pela vacina Meningocócica ACWY sem prejuízo à imunização da população. A enfermeira Mara Letícia reforça a importância da vacinação como ferramenta de prevenção e alerta para a necessidade de manter as vacinas em dia. “A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir a meningite e reduzir a incidência de doenças evitáveis. Por isso, é essencial que todos mantenham o calendário vacinal em dia e, caso apresentem sintomas da doença, procurem imediatamente um serviço de saúde”, conclui.


Ações de prevenção e combate – A Sesma desenvolve uma série de ações para proteger a população contra doenças graves como a meningite. Além de manter o calendário vacinal atualizado, a secretaria orienta a população sobre a importância da vacinação e realiza alerta para os riscos da automedicação. A Secretaria também capacita os profissionais de saúde de forma contínua, com treinamento anual para garantir que médicos, enfermeiros e outros profissionais estejam bem preparados para identificar e tratar a doença de forma rápida e eficaz. 


A Vigilância Epidemiológica também desempenha papel essencial no monitoramento da evolução dos casos de meningite. Com a coleta e análise de dados, a Sesma acompanha a situação em tempo real e adota medidas de controle, sempre que necessário, prevenindo surtos e disseminação da doença, com resposta rápida, protegendo a saúde da população.

Texto: Tamiris Amorim