Em resposta aos surtos de coqueluche na Ásia e Europa, o Ministério da Saúde do Brasil tem orientado a intensificação da vacinação contra a doença em território nacional. Em Belém, a Secretaria Municipal de Saúde está atuando de forma decisiva para garantir a proteção da população mais vulnerável.


“A coqueluche está acontecendo em alguns países do mundo e já temos casos de coqueluche aqui no Brasil, como em São Paulo e Minas Gerais. Então, como no Brasil nós temos uma baixa cobertura vacinal o Ministério da Saúde está intensificando essa vacinação”, alerta Nazaré Athayde, coordenadora de Imunizações da Sesma.


Disponível – Diariamente, as salas de vacinação do município oferecem a vacina contra coqueluche para crianças de 2 meses a menores de 7 anos, gestantes e puérperas até 45 dias pós-parto. Além disso, a vacina dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, está disponível de forma excepcional para grupos específicos, conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI).


Os grupos prioritários incluem trabalhadores da saúde, que atuam em áreas como ginecologia, obstetrícia, pediatria, parto, pós-parto, UTI neonatal, Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) neonatal convencional, UCI Canguru e berçários, além de doulas, acompanhando a gestante durante o período de gravidez, parto e período de pós-parto e profissionais de berçários e creches, com atendimento de crianças até 4 anos de idade. 


É essencial que a administração das doses leve em conta o histórico vacinal contra difteria e tétano (dT). Pessoas com o esquema vacinal completo devem receber uma dose da dTpa, mesmo que a última dose tenha ocorrido há menos de dez anos. Já aqueles com menos de três doses administradas devem receber uma dose de dTpa e completar o esquema com uma ou duas doses de dT.


Encontro com maternidades para reforçar vacinação


Na quarta-feira, 10, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém organizou uma reunião estratégica envolvendo maternidades públicas e privadas da cidade. O objetivo foi destacar a importância da vacinação para trabalhadores da saúde e puérperas atendidas nas unidades, além de alinhar as estratégias de imunização contra a coqueluche.


Durante o encontro, foi anunciado que a vacina dTpa estará disponível nas maternidades para profissionais de saúde, como pediatras e técnicos de pediatria, além do pessoal que atua nos berçários. As puérperas também serão incluídas no público-alvo da vacinação, aproveitando o momento de saída da maternidade para administrar a vacina contra a coqueluche, juntamente com as vacinas de BCG e hepatite B.


No encontro promovido pela Sesma participaram representantes de importantes hospitais e maternidades de Belém, incluindo o Hospital da Ordem Terceira, Hospital de Clínicas Gaspar Viana, Maternidade do Povo, Hospital Beneficente Portuguesa, Hospital Porto Dias e Hapvida.


“Nós convocamos este encontro porque essas maternidades abrigam um público-alvo da vacinação, incluindo pediatras, técnicos de pediatria e o  pessoal dos berçários, que lidam diretamente com crianças, além das puérperas. É um momento ideal para garantir a proteção desses grupos com a vacinação contra a coqueluche”, destacou Nazaré Athayde. 


Cobertura vacinal 


Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), as taxas de cobertura vacinal contra a coqueluche estão abaixo dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 


Até o momento foram vacinadas em Belém 10.644 pessoas com a vacina DTP, de um total de 16.653 estabelecido como meta. Isso representa uma cobertura de 65,67%. Já com a vacina dTpa, foram imunizadas apenas 5.099 pessoas, de uma meta de 16.813, resultando em uma cobertura de 62,2%.


“Estamos empenhados em alcançar a meta de vacinação estabelecida, pois é fundamental proteger nossa população contra a coqueluche. Ainda há um caminho a percorrer para atingir as taxas ideais de cobertura vacinal preconizadas pela OMS”, afirma Nazaré Athayde. 


Esquema vacinal


O Ministério da Saúde destaca que a principal forma de prevenção da coqueluche é a vacinação de crianças menores de 1 ano, com a aplicação de reforços aos 15 meses e aos 4 anos, além da vacinação de gestantes e puérperas e de profissionais da área da saúde.


O esquema vacinal primário é composto por três doses da vacina penta, aos 2 meses, 4 meses e 6 meses, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b, seguida de reforços com a vacina DTP, contra difteria, tétano e coqueluche, conhecida como tríplice bacteriana.


Para gestantes, como alternativa de imunização passiva de recém-nascidos, recomenda-se, desde 2014, uma dose da vacina dTpa tipo adulto a cada gestação, a partir da 20ª semana. Para aquelas que perderem a oportunidade de serem vacinadas durante a gravidez, a orientação é administrar uma dose da dTpa no puerpério, o mais precocemente possível e até 45 dias pós-parto.


Desde 2019, a vacina dTpa passou a ser indicada também a profissionais da saúde, parteiras tradicionais e estagiários da área da saúde atuantes em UTI ou UCI neonatal convencional e berçários, como complemento do esquema vacinal para difteria e tétano ou como reforço para aqueles que apresentam o esquema vacinal completo para difteria e tétano.


Causada pela bactéria Borderella, a coqueluche, pertussis ou tosse comprida, como é popularmente conhecida, é uma infecção respiratória. A doença tende a se alastrar mais em tempos de clima ameno ou frio, como na primavera e no inverno.


Onde encontrar as vacinas contra coqueluche em Belém


As vacinas de rotina para a prevenção da Coqueluche, como DTP e dTpa, estão disponíveis nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Belém. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. 


Além das UBS, os profissionais de saúde que atuam em maternidades podem se vacinar contra a coqueluche nas unidades hospitalares onde trabalham.

Texto: Tamiris Amorim