"Foram muitos ganhos, aprendizados, trocas. Saber que, com uma nova concepção de cuidado, podemos colocar em prática uma forma mais humanizada de tratar as pessoas. Essa é a nossa concepção de saúde". A fala da agricultora e pedagoga Teófila Nunes, de 70 anos, resume bem o que foi o curso de Educação Popular em Saúde, promovido pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Teófila e outros 24 novos educadores populares em saúde foram certificados nesta quinta-feira, 28, em cerimônia no Solar da Beira, no bairro da Campina. Semelhante ao clima das aulas do curso, no evento o conhecimento técnico-científico foi envolvido por um ambiente lúdico, com música e performances artísticas, ferramentas que esses profissionais, agora, sabem que podem ser usadas também no tratamento das pessoas.
Prevenção – "Mais do que curar doenças, tratamos pessoas", resumiu a agricultura, para quem a participação no curso é, também, uma forma de defender o Sistema Único de Saúde (SUS). "Estamos aqui não só pelo certificado, mas para dar continuidade a esse trabalho de luta pela saúde pública de qualidade. O curso vem ao encontro do meu compromisso de estabelecer essa relação com as pessoas. Saúde não é só curar a doença, é também prevenir".
Para a assistente social Renata Garcia, de 35 anos, a música foi um dos pontos altos do curso de Educação Popular em Saúde. Como cantora, ela percebeu o quanto essa linguagem universal pode ser usada também como uma forma de terapia.
"Foi inovador participar dessa formação. Eu não sabia que existia esse universo maravilhoso da educação em saúde, casando com saberes populares. Isso me deixou muito feliz", frisou ela, que integra o Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB), no Bengui.
Acolhimento – A coordenadora da Referência Técnica de Educação Popular em Saúde da Sesma, Juliana Porto, lembrou que, ao certificar essa turma, a cidade de Belém mostra que tem um novo jeito de cuidar das pessoas.
"A partir desse novo trato, esse educador entra no território de maneira mais respeitosa, mais zelosa e afetuosa, percebendo o indivíduo como um ser que carrega histórias, culturas. São profissionais que, agora, percebem as singularidades do usuário", assinalou.
Dessa forma, por exemplo, será possível identificar, de acordo com as características de cada bairro e distrito, por que algumas pessoas não procuram as unidades de saúde ou os motivos que levam ao adoecimento delas.
"O curso abriu aos profissionais novos significados de cura, proporcionando àquele indivíduo doente uma vontade de se curar. É um avanço para humanizarmos ainda mais a assistência em nossas unidades", condlui Juliana Porto.
Texto: Luiz Carlos Santos