Como parte da Programação Alusiva ao Dia Nacional da Resistência Indígena, neste mês de abril, a Prefeitura de Belém, por meio da Coordenadoria Antirracista de Belém (Coant) e o Ministério Público do Pará (MPPA) realizaram uma mesa rde debates sobre a saúde da população indígena nesta quarta-feira, 20.
A coordenadora adjunta Antirracista de Belém, Jomara Tembé, representante do município no evento, relatou o resgate da atenção à saúde indígena, a partir de reuniões com lideranças que estão nas cidades ou aldeias. “Esse debate serve para as pessoas terem um entendimento de como funciona o atendimento à saúde indígena”, explicou.
Dificuldade de acesso à saúde pública
Titular da Coordenação de Educação Indígenas de Imigrantes e Refugiados (Ceiir), Kokoixumti Tembé, da etnia Tembé Tenenterara, da Terra Rio Guamá, em Santa Luzia do Pará, nordeste do Estado, ressaltou as dificuldades de acesso às aldeias no período de inverno.
Ele contou que a comunidade não tem direito aos remédios de média e alta complexidade, que também faltam os medicamentos básicos, odontológicos e não há médicos diários na terra indígena, mesmo existindo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Cerca de 4 mil indígenas vivem em Belém, segundo o coordenador. A cada ano, os indígenas se deslocam para a cidade em busca de melhoria e para estudar e só voltam para as aldeias após quatro anos.
Luta por direitos à tradição cultural
No debate, a realidade do povo indígena, como a discriminação, racismo e a luta por direitos de usar dseus rituais, banhos e ervas, como forma de tratamento de uma doença, foi exposta pelas lideranças indígenas.
Eles alegam que a medicina tradicional não valoriza os conhecimentos da população indígena como soluções para o bem-estar humano.
A promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público do Pará, Lílian Braga, ressaltou teve uma aproximação maior com a situação que o município de Belém se encontra no atendimento à saúde para as comunidades indígenas.
Ela explicou que o Ministério Público realiza rodas de conversas, para identificar quais os problemas e como pode trabalhar nas necessidades das populações indígenas, especialmente os que moram na cidade. Segundo a promotora, o papel da Prefeitura é fundamental na articulação e prestação de serviços aos cidadãos.
Evelyn Xipaya, da etnia Xipaya do Tronco-Juruna, se deslocou de Altamira, oesta do Pará, e mora há aproximadamente dez anos em Belém. Atualmente, ela exerce a função de assessora financeira da Coordenadoria de Comunicação Social do Município de Belém (Comus).
“A atual gestão da Prefeitura de Belém tem um olhar mais respeitoso com a comunidade indígena. Há todo um desgaste para reafirmar, quando na verdade a sociedade deveria reconhecer esses povos”, enfatiza Evelyn.
"Sabemos que a população indígena vive um processo de estigmatização e sabemos da importância do acolhimento, desde a entrada no serviço de saúde até a saída, de acordo com a sua cultura", explicou Rafael Kayapó, que atua como referência técnica de Práticas Integrativas no Núcleo de Promoção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).
Ele ressaltou que a construção junto à Coordenação Estadual de Saúde Indígena (Dsei) é para acolher o indígena aldeado em Belém e que a expansão do processo de implantação em nível municipal está em andamento.
A mesa de debate também contou com as participações da jornalista indígena, Nice Tupinambá; da assessora especial da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos do Pará, Ytahy Guajajara; do doutor e professor de direito da Universidade Federal do Pará, Almires Guarani; do Dsei de Saúde Indígena, Jorge Tembé; e Miguel Kawarahi, da Associação Wyka Kawara.
Eles abordaram também a importância da profilaxia fitoterápica, o transporte dos indígenas e a dificuldade para agendar consultas no sistema público de saúde.
Acompanhe a Programação Alusiva ao Dia Nacional da Resistência Indígena, neste mês de abril, da Prefeitura de Belém. Ela segue até o dia 29.
Estagiária Débora Lopes, supervisionada pela jornalista Cleide Magalhães.
Texto: Débora Lopes