No Brasil, 19 milhões de brasileiros – 9% da população – passam fome. Os dados são do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar.
Na capital, a Prefeitura de Belém, por meio da Coordenação das Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional (Copsan), conta com o projeto Cesta Nutrir Juntos, uma das políticas da gestão para o enfrentamento da fome.
A ação já entregou pelo menos duas mil cestas de alimentos a 70 famílias, incluindo mães-solo, idosos, indígenas e mulheres trans, de julho de 2021 até o último dia 17. Para 2022, o objetivo é alcançar três mil cestas e ampliar o número de famílias beneficiadas.
Para ajudar na distribuição das cestas de alimentos e possibilitar a expansão do projeto, o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, entregou a chave da primeira van da Copsan à coordenação.
O prefeito conversou sobre a importância das ações da Copsan para assegurar alimento de qualidade às famílias de baixa renda. Ele agradeceu a dedicação da equipe da Coordenação pelo empenho para garantir comida às famílias.
Ele ressaltou, ainda, que o órgão tem como função garantir a segurança alimentar e nutricional. Por isso, complementou o prefeito, “a Prefeitura garantiu uma van para ajudar na busca dos alimentos na Ceasa e os servidores não precisarem fazer várias viagens”.
“Nossa intenção é combater juntos a exclusão social e a fome. Com isso, trouxemos parceiros externos como o Arte Pela Vida e a Ceasa. Somamos forças com a Coordenadoria Antirracista e da Diversidade Sexual e trabalhamos juntos indo para a Ceasa, sensibilizando os permissionários sobre o projeto, que beneficia as pessoas, dando o direito a elas a uma alimentação adequada e saudável", explica Merilene Silva, titular da Copsan.
Para 2022, outro projeto da Copsan é o Quintal Ecológico Mão na Terra, feito a partir da compostagem de produtos que não têm condições de uso.
A oportunidade da entrega da chave foi quando o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, acompanhado de Merilene Silva, se reuniu nesta sexta-feira,17, com as famílias beneficiadas pelo projeto Cesta Nutrir Juntos, além dos parceiros do projeto, no Solar da Beira, no Complexo do Ver-o-Peso.
Beneficiados com as cestas
Os dados do Inquérito Nacional levam a consequências drásticas, que colocam brasileiros à procura de meios para garantir alimento diário da família.
A dona de casa Cleonice Reis de Lima, 60 anos, moradora do bairro do Tapanã, que recebe apenas um benefício, que auxília na compra de medicações e parte da alimentação. Os demais produtos básicos são adquiridos de forma desafiadora, contando com a solidariedade dos vizinhos, amigos e ação do poder público.
Dona Cleonice é beneficiada pelo projeto Cesta Nutrir Junto. Para ela, a cesta é símbolo de garantia da alimentação aos dois netos e filha. "Tá me ajudando muito em casa. Muitos estão passando necessidade. Mas, graças a Deus tenho essa bênção pra sustentar minha família".
Valor nutricional
A cesta é composta por frutas, verduras e legumes que garantem valor nutricional adequado às famílias beneficiadas. Dona Cleonice aproveita muito bem todos os itens.
"Consigo fazer muita coisa, sopa, cozido e salada", contou dona Cleonice, após receber na manhã desta sexta-feira, 17, a Cesta Nutrir Juntos, durante o encontro especial entre as 70 famílias beneficiadas e os parceiros da ação, que engloba as coordenadorias da Diversidade Sexual (CDS), Antirracista (Coant), Comitê Arte Pela Vida e Central de Abastecimento do Pará (Ceasa/PA).
A autônoma Etiene Araújo, 45, moradora do distrito de Icoaraci, conta que todas as sextas-feiras recebe a cesta de hortaliças e frutas. A única fonte de renda da Etienie é a venda de bombons na porta de sua casa.
"Me ajuda muito na minha alimentação com a minha filha. Sou muito agradecida. Eu tenho problema de saúde e o meu dinheiro não dá pra fazer a dieta que tenho que fazer. A cesta me ajuda muito", confessa.
Texto: Joyce Assunção