Se vivo estivesse, Paulo Freire estaria completamente em casa nesta quinta-feira (23), no Café Freireano do Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (Crie), unidade da Secretaria Municipal de Educação (Semec). O espaço se dedica a valorizar as pessoas com deficiência e a ensinar, pela via da educação libertadora, que elas podem mudar o mundo.

O Crie se destina ao atendimento educacional especializado de todos os estudantes matriculados na rede municipal de ensino de Belém e mensalmente promove o Café Inclusivo, um evento de formação para os trabalhadores da educação inclusiva, mas também de confraternização.

Como o recuo da covid-19, a atividade passou a ser presencial, com palestras regadas a atividades lúdicas e artísticas, além de café, chocolate, chá, doces e salgados e muitas medidas de biossegurança contra a covid-19.No mês dos 100 anos do patrono da educação brasileira, nesta quinta o Café homenageou Paulo Freire e teve como convidada especial a professora doutora Ivanilde Apoluceno, considerada como uma das maiores referências brasileiras no ensino de Paulo Freire.

O professor cego Lourival Nascimento foi o mestre de cerimônia. Com as anotações em braile nas mãos, ele fugiu do roteiro acrescentando histórias, humor e acolhimento à atividade. Professores de Libras, surdos e ouvintes, se revezaram na tradução simultânea de todo o evento. Houve audiodescrição para professores cegos e professores com deficiências diversas fotografaram e filmaram tudo.

Palestra – O Café começou às 17h e entrou pela noite. A professora Ivanilde, emocionada, fez uma breve palestra e contou que foi o primeiro evento presencial de que participou desde o início da pandemia de covid-19. Com a situação controlada em Belém, sem mortes e sem pessoas internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela decidiu começar a sair.

“Este é um encontro muito feliz, um encontro de amorosidade e um encontro de conversa freireana, que muito me enriqueceu como pessoa e como professora. A mensagem que gostaria de deixar é a de esperança freireana de termos e de lutarmos por um mundo mais justo e mais humano”, afirmou ela.

Emocionada, a secretária municipal de Educação, Márcia Bittencourt, comemorou o avanço da vacinação contra a covid-19 na capital paraense e destacou o trabalho de 1.600 voluntários da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).

“Destaco a importância de aplicar o legado de Paulo Freire, de fazer uma pedagogia transformadora e não romantizada nos 100 anos de Paulo Freire. Não basta comemorar, é preciso transformar. Precisamos alfabetizar em Libras e educar a nossa cidade para que as pessoas com deficiência tenham todos os direitos garantidos”, enfatizou a gestora.

Ensino noturno – A professora mestra Tatiana Vasconcelos Maia, coordenadora do Crie, comemorou outra conquista: a unidade vai oferecer cursos no turno da noite, a partir do mês de outubro.

“Teremos cursos voltados às áreas de deficiência visual e surdez para os nossos professores da rede e também para a comunidade, para trabalhar a Língua Brasileira de Sinais e as adaptações necessárias às pessoas com deficiência visual. Todas essas atividades retornarão, porque a gente tinha perdido essa oportunidade de fazer os cursos. Ela retornou agora, com o Governo da Nossa Gente, que tem uma política pública inclusiva”, anunciou.

Texto: Lilian Leitao