No Dia Internacional da Alfabetização, transcorrido nesta quarta-feira, 8, a Secretaria Municipal de Educação (Semec) celebra o legado do educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira. É de Paulo Freire o projeto de alfabetização “40 Horas de Angicos”, experiência de educação popular desenvolvida no início dos anos 1960 na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, em que o educador alfabetizou cerca de 300 adultos em 40 horas. A revolução pela educação de Paulo Freire inspira o projeto político-pedagógico da prefeitura de Belém.
A pedagogia de Paulo Freire pressupõe a promoção da escuta sensível, do diálogo, das relações igualitárias, da participação coletiva, respeitando sempre cada território escolar para construção de uma educação pública democrática e transformadora. Essa é a base do projeto político-pedagógico adotado pela Semec nas 203 escolas situadas nas áreas urbana, rural, nas ilhas e florestas do município de Belém. E cada escola, de maneira autônoma, constrói o seu próprio projeto político-pedagógico norteado pela orientação da Semec.
A professora Maria de Nazaré Rocha, que há 24 anos leciona para alunos da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, explica como se dá, por exemplo, a alfabetização das crianças na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental (EMEIF) Olga Benário, localizada no bairro de Águas Lindas. “No primeiro momento nos apropriamos do tema proposto pela Semec, que é construir uma cidade alfabetizadora a partir da pedagogia freireana, até chegarmos ao tema da escola, ‘Formação humana no meio ambiente’, com a criação do projeto ‘Do contexto crio uma biografia’, para que as crianças conheçam a realidade delas”, diz a professora.
Maria de Nazaré conta que Águas Lindas é um território rico de pessoas que lutaram por uma sociedade justa em que todos tivessem o direito de estudar, mas muitas vezes o bairro é noticiado de forma negativa. “Nas atividades que desenvolvemos, cada criança abordou o assunto que queria, de forma não presencial devido à pandemia (de covid-19). Apresentamos a biografia da escola e fomos adequando ao que a criança queria explorar. A metodologia utilizada foi a leitura, a oralidade, o discurso, a escrita dos alunos por meio do whatsapp, com vídeos e áudios”, detalha a educadora.
O trabalho desenvolvido na escola resultou no documentário de 23 minutos “Minha rua conta uma história”, em que cada criança narra a história do local onde vive, e os educadores escreveram o artigo “Utilização do gênero biográfico como estratégia de alfabetização: uma experiência na Escola Municipal de Ensino Fundamental Olga Benário, em Belém do Pará”, de autoria das professoras Maria de Nazaré Rocha Souza e Soraya de Cássia Costa Pereira, que será apresentado em no XV Congresso Nacional de Educação (Educere), que ocorrerá de 27 a 30 de setembro na modalidade online e, presencialmente,em Curitiba,no Paraná. O Educere é realizado a cada dois anos e visa promover reflexões sobre formação, prática e pesquisa educacionais.
Texto: Tábita Oliveira