“Essa iniciativa é o começo de muitas que vêm pela frente, com a valorização da cultura do que é produzido nos nossos territórios. E esse momento aqui é muito importante para nós, enquanto indígenas, porque é a valorização e a nossa autodeterminação”, ressaltou a coordenadora adjunta da Coordenadoria Antirracista (Coant), Jomara Tembé, sobre a Feira de Produtos Indígenas promovida neste sábado, 14, e que segue até este domingo, 15, na Praça Milton Trindade (Horto Municipal), bairro Batista Campos. A ação faz parte da programação do Agosto Indígena na Mairí dos Povos, realizada em alusão ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado no dia 9 de agosto.

“O objetivo foi realizar uma feira de arte indígenas, com produtos que são fruto do trabalho e da criatividade de várias etnias, que vivem em território paraense ou mesmo fora do Pará”, explicou o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.

A Feira de Produtos Indígenas reúne as etnias Kayapó, Tupinambá, Wai wai, Tembé, Guajajara e outras, para mostrar aos visitantes do Horto Municipal, o artesanato produzido de forma sustentável, com material extraído diretamente da natureza.

“Esse é um trabalho que trazemos da nossa etnia Warao da Venezuela e temos a oportunidade de mostrarmos aqui. Estou muito feliz! Peço a Deus que todo tempo seja assim, para mais adiante termos a nossa tenda”, comentou a indígena Warao, Gardênia Cooper Quitoz, que vive há 11 meses em Belém, na Ilha de Outeiro. Ele trouxe para a feirinha, colares e pulseiras.

Mais que uma programação, o Agosto Indígena na Mairí dos Povos é um espaço para dar visibilidade à luta dos povos originários, principalmente no enfrentamento ao genocídio que afeta os indígenas.

“É realmente uma grande emoção participar deste momento e abraçar os nossos guerreiros e guerreiras. Confirmar que o futuro do Brasil, para ser realmente a afirmação da esperança, da justiça social, do equilíbrio ecológico e, ao mesmo tempo, um futuro democrático, só é possível valorizando a nossa história ancestral, dos povos originários, das várias etnias indígenas”, enfatizou o prefeito Edmilson Rodrigues, que esteve no local e conversou com os indígenas e visitantes do evento.

Ao chegar à Feira de Produtos Indígenas, o visitante, além de encontrar pulseiras e colares produzidos a partir de sementes tradicionais da região amazônica, também encontra bonecos feitos de tecido, que resgatam a cultura popular da Amazônia. O artesão Ângelo Fonseca, ou artisticamente conhecido como Mestre Saci, oriundo da cidade de Alenquer, da etnia Abaré, mostrava, com orgulho, no estande mais de onze bonecos que traziam histórias do Curupira, Iara, Matinta Perera e Vitória-régia, produzidos a partir do reaproveitamento de tecido.

“O objetivo é perpetuar nossa cultura popular da Amazônia. Eu pesquiso os personagens e monto o boneco, e me apresento falando do respectivo personagem em teatro e escolas”, contou Mestre Saci. Para ele, a realização de uma feira, que destaca a cultura dos povos originários, é primordial. "No momento atual em que a cultura brasileira está completamente ameaçada, é de extrema necessidade ter iniciativas como essa, para que façamos a resistência e estejamos mostrando a nossa cultura. A história do povo precisa ser contada”, afirmou.

Programação – No dia 09 de agosto, a Prefeitura de Belém iniciou uma série de atividades. A primeira ocorreu no complexo da Feira do Jurunas, com uma roda de conversa sobre a História das Culturas Indígenas em Belém. E prosseguiu, no mesmo dia, no Ver-o-Rio, a roda de conversa, cantos e discursos a respeito da importância de debater e lutar pela causa dos povos indígenas. O encerramento da programação ocorrerá no dia 28 de agosto, no Memorial dos Povos, na avenida Governador José Malcher, 257, das 09h às 13h, com as atividades Janela de diálogos dos Povos Indígenas e Políticas Públicas no contexto urbano; Janela de diálogos dos Povos Indígenas e Políticas Públicas no contexto urbano; e roda de cantoria indígena.

História – Antes da chegada dos portugueses em janeiro de 1616, Belém chamava-se Mairí, que, de acordo com relatos recolhidos de memórias dos povos indígenas, em especial entre os Uanana, na língua nheengatu significa “cidade”. Os habitantes da Mairí eram conhecidos como mairiuára e mairipora. Mas outros estudos mostram que Mairí também pode ser entendida como “velha”.

“Belém Mairí era a Belém onde habitavam os primeiros indígenas, os parentes Tupinambás”, explicou Jomara Tembé. “Não é à toa que as ruas e os bairros de Belém têm nomes indígenas, como Mundurucus, Tupinambá, Tamoios e Jurunas. São nomes de etnias muito fortes no nosso país e que hoje existem. Resistiram no passado para existir hoje. Então, a luta continua. A gente tem que lutar para resistir e existir”, lembrou a liderança Tembé.

O Agosto Indígena na Mairí dos Povos é promovido pela Coordenadoria Antirracista (Coant), Ouvidoria Geral (OGM) e Secretarias Municipais de Meio Ambiente (Semma) e de Administração (Semad), com apoio da Coordenadoria de Comunicação Social (Comus) e Secretarias Municipais de Cidadania e Direitos Humanos (SECDH) e de Saúde (Sesma) e da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel).

Serviço
Evento: Feira de Produtos Indígenas
Data: 15/08 (Domingo)
Horário: 08h às 14h
Local: Praça Milton Trindade (Horto Municipal), bairro Batista Campos, Rua dos Mundurucus.

Texto: Joyce Assunção