A prefeitura de Belém vem buscando cada vez mais ampliar suas ações de serviço junto aos refugiados venezuelanos da etnia Warao residentes na capital parense. A Fundação João Paulo XXIII (Funpapa), que desenvolve atividades de amparo e proteção de populações que vivem em situação de risco pessoal e social, conta com um núcleo voltado exclusivamente para o atendimento de migrantes e refugiados, o qual hoje assiste cerca de 630 Indígenas Warao, distribuídos nos Centros de Referências de Assistência Social de Outeiro e do Tapanã.

GTs – Junto à Funpapa, outros órgãos da prefeitura de Belém, como a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) e a Coordenadoria Municipal de Turismo (Belemtur), vêm atuando juntos nesta assistência, por meio de Grupos Municipais de Trabalho (GTs) instituídos desde o mês abril, com o objetivo de implementar e fiscalizar as ações.

Além do apoio interno, o Núcleo de Atendimento de Migrantes e Refugiados da Funpapa conta ainda com apoio de importantes parceiros, que desenvolvem programas e projetos para os Indígenas Waraos, entre eles o Alto Comissariado da Onu para Refugiados (Acnur), Agência Adventista de Recursos e Assistência (Adra), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e outros.

De acordo com o Coordenador do Núcleo de Atendimento de Migrantes e Refugiados, Ronaldo Martins Gomes, a criação dos GTs foi a realização de um antigo sonho de muitas pessoas já atuantes na causa. “As melhorias conquistadas devem-se ao desempenho dos profissionais que abraçaram o compromisso com esta causa junto aos Indígenas Warao. Essa união aponta a possibilidade de uma ampliação muito importante para a cidade, para uma legislação que interaja com migrantes e refugiados em Belém tornando essa uma questão de governo e estado a partir de legislação específica” , conclui.

Ronaldo Martins Gomes ressalta também que a Funpapa está aberta ao diálogo com todos aqueles da sociedade civil, que compartilhem o entendimento da importância da preservação e resguardo da dignidade destes refugiados, que agora compõem nossa sociedade.

Ajuda diante das adversidades – A refugiada Gardenia Cooper Quiroz, 31 anos, da etnia Warao, reside há nove meses, junto ao marido e os quatro filhos, na unidade do Território da Prosperidade assistida pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Outeiro. Ela relata que, desde que chegou ao Brasil, há, aproximadamente, um ano, ela e a família encontram-se em uma situação de sobrevivência e que as ações realizadas pela Funpapa os têm ajudado, diante das complicações “Era muito difícil comprar alimentos e coisas para utilizar em casa, mas agora temos a quem recorrer, para nos ajudar e termos condições de oferecer as coisas para meus filhos”.

A família de Gardênia foi uma das beneficiadas, por meio de intervenções necessárias do CRAS, para inscrições em programas inclusivos como o Cadastro Único e o Bora Belém.

Texto: Rayane Lopes