Após dezesseis anos, a Ilha do Combu voltou a ter acesso à coleta domiciliar e seletiva. O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, juntamente com a secretária municipal de Saneamento Ivanise Gasparim, acompanharam nesta quarta-feira, 16, a retomada do serviço.

Cerca de 40 toneladas de resíduos são produzidas pela população ribeirinha, que tem como principal fonte de renda o turismo e recebe nos restaurantes visitantes da capital e outros municípios e estados.

“É uma vergonha que 40 toneladas ao mês seja jogada ao rio. Como transformar isso aqui num paraíso turístico, como gerar emprego e renda se os rios estão poluídos, se não há coleta adequada de lixo? Com o apoio da Associação Amigos de Belém, nós estamos investindo na coleta seletiva para que metais, papéis, plásticos e vidros sejam retirados, não sejam jogados no rio e sejam vendidos para a reciclagem”, ressaltou Edmilson Rodrigues.

Todas as segundas, quartas e sextas-feiras a embarcação do município se direciona à Ilha do Combu, recolhendo resíduos sólidos de mais de 400 famílias, passando pelos furos de rio e pela margem do rio Guamá até o furo de São Benedito.

“Há mais de 16 anos que a coleta domiciliar e seletiva havia sido supensa aqui na Ilha. O que estamos fazendo é retomando, ampliando e melhorando. Nós estamos fazendo a coleta e organizamos também com a cooperativa para que o lixo, principalmente garrafas de vidros e todo o material gerado com o funcionamento dos bares e restaurantes, que seja reciclado”, explicou Ivanise Gasparim.

A Associação Amigos de Belém atua promovendo a sustentabilidade e em parceria com a Prefeitura de Belém, promove recolhimento de resíduos para a cooperativa Filhos do Sol, localizada na Tv. Padre Eutíquio, bairro da Condor, que trabalha com coleta seletiva e reciclagem dos materiais recebidos da ilha – plástico, metais, alumínio, ferro, plástico filme, papel e papelão.

João Jorge Ribeiro, 61 anos, trabalha há 13 anos com a reciclagem na cooperativa Filhos do Sol. Ele explica que o serviço de coleta adequada dos resíduos orgânicos promove bem-estar aos moradores da Ilha e capital paraense. “Para mim tá sendo maravilhoso porque a gente não trabalha somente para adquirir o pão nosso de cada dia. Quem vai mais agradecer é a natureza. Porque nós vamos limpar a natureza, nós catadores precisamos que nossos governantes deem o apoio que a gente precisa”, destacou.

O morador da região ribeirinha e presidente da Cooperativa dos Barqueiros da Ilha do Combu, Mizael Rocha Rodrigues, 25 anos, foi pioneiro na fomentação e engajamento da população na separação de materiais recicláveis. “Antigamente era uma lancha pequena que trazia a reciclagem para as pessoas da coleta seletiva. E o outro lixo domiciliar não tinha destinação”, explicou o Mizael.

A iniciativa que começou com Mizael e mais alguns moradores do entorno, recolhendo o resíduo orgânico com apenas uma lancha, agora ganha o suporte e apoio da gestão municipal. “É uma satisfação muito grande ter essa coleta. Os moradores estão vendo que está funcionando. A gente só tem que agradecer o apoio da Prefeitura de Belém e estamos muito satisfeitos com um barco e containers que podem fazer a coleta de lixo”, destacou.

"Os resíduos orgânicos serão coletados numa embarcação apropriada e colocados em contêineres seguros. É assim que se faz com seriedade, amor à vida, saúde e compromisso com o desenvolvimento. E que sejam ao mesmo tempo um processo de redução das desigualdades sociais, um processo de manutenção do equilíbrio ecológico e com a participação social", enfatizou o prefeito de Belém.

Após o acompanhamento do serviço de coleta de resíduos sólidos Edmilson Rodrigues e equipe visitaram a Casa de Chocolate da Ilha do Combu, onde conheceram o processo de produção do chocolate regional.

Também participaram da visita ao Combu, os gestores da Defesa Civil, Semob, Seurb, Semma e técnicos da Prefeitura.

Texto: Joyce Assunção