Na semana em que a gestão municipal Governo da Nossa Gente completa 100 dias, a Secretaria Municipal de Educação (Semec), por meio do Centro de Formação de Educadores (CFE) Paulo Freire, promoveu, nesta terça-feira, 13, o webinário “As ideias de Paulo Freire para uma cidade alfabetizada e educadora”. Este é o primeiro webináro de uma série de quatro encontros. O evento foi transmitido pelo canal do CFE, no YouTube.

A professora Célia França, que mediou o encontro, atua na sala de informática da Escola Municipal de Ensino Fundamental Olga Benário e destacou que a qualificação profissional vai refletir diretamente na escola, sala de aula e, principalmente, na missão como educador, em cada participante. Neste primeiro encontro, Letícia Carneiro e Geldes Castro, professores formadores do Núcleo de Informática Educativa (Nied), debateram o subtema “Processos tecnológicos em educação e comunicação”.

Educomunicação – Letícia Carneiro, doutora em Educação Acadêmica, destacou a Educomunicação, que propõe novos tipos de aprendizagem, utilizando recursos tecnológicos para criar novas relações na comunicação, mais democráticas, igualitárias e menos hierarquizadas. Ela frisou que as ferramentas tecnológicas em si não configuram uma inovação. É preciso estar atento ao processo de aprendizagem.

“A gente vai pensar a educomunicação como ecossistemas comunicativos e educativos, que vão propagar as vozes, principalmente dos educandos, pensando nesse processo de construção do pensamento crítico. Neste momento de pandemia, de restrições das relações sociais, muitas redes de ensino migraram para a modalidade remota. E a proposta da educomunicação dentro da filosofia Freireana propõe ser uma alternativa à transmissão de conteúdos, priorizando a relação, a troca, o diálogo, a desconstrução e o debate sobre os valores sociais hegemônicos”, explica.

Para ela, a transmissão de conteúdo ainda tem como foco o professor. “A nossa discussão é com foco no processo para mostrar que a inovação vem da abordagem e não da ferramenta. A ferramenta pode ser utilizada para transmissão de conteúdo. Mas a abordagem tem a base no diálogo, escuta, troca”, disse Letícia, sobre o conhecimento compartilhado nas obras de Paulo Freire intituladas Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Tolerância e Extensão ou Comunicação. “A perspectiva da comunicação com os pais e alunos talvez se expresse melhor nessa potencialidade Freireana, para que a gente possa atingir o aluno, muito mais que uma plataforma cheia de conteúdo.”

Conexão – Geldes Castro, doutor em Ciências Sociais, deu continuidade ao debate com a seguinte pergunta: Como pensar o desafio de construir uma cidade educadora e concectada?

“Primeiro a gente pensa nos desafios da conexão. A maioria dos internautas acessa a internet pelo smartphone, ou seja, mais de 40% da população mundial não têm acesso à internet. Esse problema de acesso à internet não é exclusivamente nosso, de Belém do Pará. A exclusão digital é social. A exclusão digital será resolvida com a superação da exclusão social”, destaca Geldes.

Para ele, o contexto da pandemia evidenciou a exclusão digital. “A gente imagina soluções tecnológicas e inovadoras. E partimos das referências que temos como ensino híbrido e remoto. A educação à distância não foi pensada para isso. A gente escolariza essas tecnologias para isso”, explica.

Mudança de paradigma – Geldes ressalta que as pesquisas mostram que a inovação pressupõe a mudança de paradigma, num modelo novo, no saber disciplinar. E para isso é preciso democratizar o acesso à internet, abrindo uma infovia com pontos de acesso nos espaços públicos populares. “Talvez se a gente tivesse acesso aos pontos de internet, a gente tivesse mais acesso aos nossos alunos. É preciso lutar pra se ter uma infovia liberada.”

O próximo encontro do webnário será no dia 20 de abril, com a professora Marilene Avelar. No dia 27 será a vez da professora Márcia Bittencourt, e encerra no dia 3 de maio com a live do prefeito Edmilson Rodrigues. Todos com temas específicos e com transmissão pelo canal do CFE, no YouTube.

Texto: Tábita Oliveira