A evolução das habilidades individuais das pessoas que possuem algum tipo de limitação física, mental, intelectual ou sensorial tem sido uma preocupação constante da Prefeitura de Belém. Ações que possibilitam uma melhor qualidade de vida a essas pessoas, envolvendo educação e assistência social, geram motivos de comemoração no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado nesta quinta-feira, 03.
Entre as ações realizadas está a implantação do Centro Dia, vinculado à Fundação Papa João XXIII (Funpapa), para executar o serviço de proteção social especial para esse público, na faixa etária de 18 a 59 anos de idade. O espaço recebe pessoas com qualquer tipo de deficiência, seja ela auditiva, intelectual, visual ou física, que estejam em situação de dependência, e suas famílias/cuidadores, que se encontram em situação de pobreza e/ou risco por violação de direitos.
As atividades realizadas no Centro incentivam o convívio comunitário e o desenvolvimento de ações que estimulem a autonomia da pessoa com deficiência. O pai de Douglas Rodrigues, atendido há seis meses pelo órgão, fala sobre os avanços no desenvolvimento do filho. “Sei que sou muito protetor com o meu filho. Foi até difícil aceitar que frequentar o Centro seria melhor para ele, no entanto percebi que continuar com esse cuidado extremo podia atrapalhar seu desenvolvimento. Só durante este período de convívio dele aqui, pude perceber muitos avanços no seu dia a dia. Já faz mais coisas sozinhos e busca por mais atividades”, contou Adilmar Alves Rodrigues.
Atividades
Os usuários do Centro Dia frequentam o espaço de segunda a quinta-feira, no período de 8h às 16. Uma equipe multiprofissional realiza oficinas de Atividades de Vida Diária e Atividades Instrumentais de Vida que estimulam a autonomia para arrumar-se, vestir-se, comer, fazer higiene pessoal, locomover-se e outras. Assim como oficinas de educação ambiental, comunicação e linguagens, artesanato atividades corporais,roda de conversas e passeios externos.
Segundo o setor de vigilância socioassistencial da Funpapa, de janeiro a outubro de 2015, cerca de 73 pessoas foram assistidas pelo centro. “O nosso espaço também acolhe a família. A participação dela é de extrema importância para que os procedimentos tenham sucesso na vida diária dessas pessoas. Nossos profissionais realizam o acompanhamento com os pais para melhor compreender e atender a necessidade de cada um”, disse a coordenadora do Centro, Sheila Kalif.
Para conseguir uma vaga no Centro Dia, a pessoa com deficiência deverá ser encaminhada pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas),com um laudo médico e um relatório de assistente social.
Educação
“Percebi que depois que meu filho passou a estudar na rede municipal de ensino ele desenvolveu bastante. Não se questiona o porquê de sua deficiência, ele procura se adaptar a ela. Aprendeu o braille muito rápido e hoje se relaciona muito bem com seus colegas de turma, não fica mais fechado e tímido como era”, declarou Carla Gaia, mãe do aluno Ryan Pantoja, da Escola Municipal Francisco Nunes.
O Centro de Referência em Inclusão Educacional, vinculado à Secretaria Municipal de Educação é o gestor do Atendimento Educacional Especializado que, além de ajudar a aprimorar o que o aluno possui de melhor, realiza o atendimento educacional especializado, por meio das Salas de Recursos Multifuncionais localizadas em escolas pólos do município, beneficiando mais de 1400 alunos matriculados com deficiência (física, auditiva e visual e intelectual), transtorno global do desenvolvimento ou com altas habilidades/superdotação.
Nas salas multifuncionais o aluno tem acesso aos serviços de recursos pedagógicos e de acessibilidade conforme a necessidade especifica da criança, sempre na presença de professores especializados em atendimento aos alunos com deficiência.
Para a coordenadora do Crie, Denise Costa, os três últimos anos foram de muitos avanços. “Aumentamos o número de salas, hoje temos 50 em toda a rede, assim como o nosso atendimento foi ampliado. Tudo isso foi possível devido aos investimentos em uma equipe multiprofissional qualificada e a sensibilidade da necessidade de atenção para a educação inclusiva. Temos diversos programas desenvolvidos com êxito, possibilitando resultados pedagógicos e sociais positivos para os estudantes, assim como a capacitação de seus familiares e cuidadores”, ressaltou
Portador de deficiência visual, Ryan Pantoja mostrou que suas aulas na sala de recursos podem gerar grandes frutos. Ele teve sua poesia classificada no último Concurso de Poesia da Prefeitura. “Durante a minha aula, escrevi a poesia em braille e meu professor a inscreveu no concurso. Fiquei muito feliz em ser destaque”, comemora Ryan.
Projetos executados em parceria com a Prefeitura de Belém têm possibilitado diversos avanços na educação inclusiva da rede municipal. Entre estes projetos está o Portas Abertas para a Inclusão, iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância e Fundação Barcelona. Apenas 15 capitais do país foram selecionadas para recebê-lo. Em Belém, o projeto foi lançado no último mês de março em dez escolas da Semec.
A ação utiliza a educação física e o esporte como forma de promover a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência, nas escolas. O Portas Abertas oportuniza a cada escola avaliar a melhor forma de incluir alunos com qualquer tipo de deficiência e a pensar em novas metodologias de trabalho. Jogos cooperativos, oficinas, palestras, atividades culturais e pedagógicas foram algumas das atividades realizadas nos espaços.
Outro projeto desenvolvido este ano foi o “Rios de Inclusão: cuidando de todos, valorizando cada um”, realizado em parceria entre o Unicef, a Prefeitura de Belém, o Governo do Estado e o Instituto Paraense de Toxina Botulínica, Ipat.
O Rios de Inclusão tem o objetivo de garantir nas políticas públicas de saúde, educação e assistência social os direitos de crianças e adolescentes com deficiências auditiva, visual, e com doenças neuro-psíquico-motoras, entre outras. Entre as atividades estão a visita aos espaços que hoje atendem esse público, formação para profissionais da área da educação especial, seminários sobre o tema e um curso de aperfeiçoamento voltado para as pessoas que já trabalham na educação especial
Texto: Andreza Carvalho