Alunos que fazem parte do projeto Shizen Funbosque Karatê-Dô, desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Fundação Eidorfe Moreira, também conhecida como Escola Bosque, realizaram na manhã deste sábado, 31, os exames para a troca de faixas da modalidade. As provas foram realizadas nas dependências da Fundação, no distrito de Outeiro. Árbitros da Federação paraense de Karatê avaliaram criteriosamente a força, equilíbrio, velocidade e a resistência física dos atletas.

Luana Maely Lima da Silva, de apenas 11 anos, faixa branca, realizou pela primeira vez a prova. Ela é estudante da Unidade Pedagógica localizada na ilha de Jutuba, que fica a 30 minutos de Outeiro. Para Luana, o Karatê além de trazer novos aprendizados está ampliando suas oportunidades futuras.

“O projeto está mudando um pouco a minha vida. A gente aprende muita coisa, inclusive a como se defender. A gente se desenvolve muito mais. No futuro eu quero seguir a carreira de atleta, conseguir um emprego e ajudar a minha família”, contou a aluna.

Apesar do projeto não focar em competições, vários talentos já foram descobertos. “O nosso objetivo não é competir, mas os alunos já participaram de campeonatos estaduais e até mesmo brasileiros e alcançaram resultados positivos, trazendo medalhas e troféus. Isso é importante também para melhorar a autoestima, para que eles saibam que são capazes”, declarou o coordenador do projeto, Jeydson Rodrigues.

Aluno do 9º ano da escola Bosque, João Vitor Sarges Silva, participa do projeto desde o início e reconhece que sua vida mudou bastante neste período. “Até os 14 anos eu não gostava nem de vir para a escola, vivia em conflito com a minha família. Dentro do projeto os professores conversam muito com a gente e ensinam a caminhar pelo lado certo. Hoje eu sou uma nova pessoa”, declarou.

Desenvolvido há três anos, o projeto Shizen Funbosque Karatê-Dô atende 82 alunos da escola Bosque e de Unidades Pedagógicas vinculadas a ela. O projeto ainda recebe os alunos de escolas privadas próximas à Funbosque. O objetivo é transformar a vida dessas crianças e adolescentes e aumentar a qualidade do rendimento escolar. Além das técnicas esportivas, o projeto orienta também para o bom comportamento individual, o respeito, a disciplina e a importância dos estudos. As aulas ocorrem duas vezes por semana no contra turno escolar, nas unidades pedagógicas e na própria fundação.

Coordenadora pedagógica da Escola Bosque, Roberta Hage, afirma que já é possível perceber resultados significativos na relação entre aluno, família e escola. “Nós buscamos atender, principalmente, aqueles alunos que demonstram alguma dificuldade dentro dos espaços de educação, seja no aprendizado, no comportamento ou até mesmo aqueles que estão em vulnerabilidade social muito grande. E já percebemos muitos resultados positivos, como a frequência mais assídua, melhor desempenho escolar, mudanças comportamentais e também a aproximação da família, que é muito importante”, destacou.

Para os familiares, a maior alegria é ver as crianças e adolescentes crescendo com novas perspectivas para o futuro. “Minha filha sempre teve vontade de fazer um esporte, mas a oportunidade ainda não tinha chegado. Eu apoio muito ela. E, se ela quer se tornar uma campeã, ela terá todo o meu apoio”, concluiu Luciana Lima, mãe da aluna Luana Maely.

Texto: Aline Saavedra