A Fé pode ser expressada através de palavras, orações e até mesmo em um silêncio. Ou pode ser vivida e compartilhada por meio de sinais e um simples olhar. E foi assim, por meio da Língua Brasileira de Sinais e da áudio descrição, acompanhadas de música, dança, teatro e poesia que foi realizado o II Auto do Círio da Inclusão, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação (Semec), por meio do Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes. O Auto, que reuniu mais de 200 pessoas, entre alunos, pais e professores, foi realizado nesta quinta-feira, 8, na sede do Crie.
O objetivo do Auto é oportunizar que estudantes com deficiência possam participar deste momento religioso que é o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e homenagear a padroeira dos paraenses, além de promover a integração de alunos, professores e famílias.
Antes mesmo de dar início a programação, a imagem peregrina de Nossa Senhora passou em frente ao Crie, e o veículo no qual era conduzida a berlinda parou para que fosse realizada uma oração acompanhada de uma bênção.
“É muito emocionante. Eu vim para ver meu filho participando de uma festa, que é para Ela. E, coincidentemente, Nossa Senhora para aqui na frente para nos abençoar”, disse emocionada, Rosângela Silva, mãe de um aluno com baixa visão.
O Auto foi dividido em quatro estações. A primeira teve a participação do Coral Encanto, do Liceu escola do Paracuri e contação de história sobre a lenda da cobra grande; a segunda mostrou o momento em que Plácido encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, feita pelo professor surdo Cleber Couto; a terceira estação simbolizou a corda e os promesseiros e as águas da Amazônia; a quarta finalizou o espetáculo com a queima de fogos e a subida do manto da imagem ao céu. Em todas as cenas, alunos com e sem deficiência se tornaram os protagonistas do espetáculo.
Angelina Braga tem seis anos, é deficiente visual e participa do Coral Encanto. Desde os sete meses de vida, Angelina começou a receber o atendimento necessário para um melhor desenvolvimento. Para sua mãe, o fato da filha participar de momentos como o Auto do Círio, se tornam mais um estímulo para a menina, que percebe que é tão capaz quanto crianças sem deficiência.
“A inclusão não é feita apenas dentro da sala de aula, ela é feita também através da música, da arte e, fazendo tudo isso, ela está participando como todas as outras crianças. Ela percebe que é capaz de participar mesmo com a sua limitação”, afirmou Waldina Braga, mãe da Angelina.
Júlia Nascimento, aluna do 7º ano da Escola Municipal Francisco Nunes, também participou do evento que para ela teve um significado diferente. “A gente é acostumado a ver pessoas ditas como normais se apresentando. Então, para mim foi uma grande lição de vida. De que nada é impossível, de que se a gente quiser, a gente consegue”, revelou.
O Auto Círio é realizado por meio do projeto expressão, artes cênicas e inclusão, do Crie que desenvolve ao longo do ano atividades com os alunos com e sem deficiência da rede municipal de ensino. Para a coordenadora do Crie, Denise Costa, a educação especial feita no município de Belém, através de vários projetos, busca incluir verdadeiramente os alunos com deficiência.
“Aqui no Centro nós temos vários projetos, cada um com uma missão, seja de aproximar a família da escola, seja de ensinar o aluno cego o braile e muito mais. E o Auto do Círio é uma forma de vivenciar com eles o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e unir os pais, os professores e os alunos com e sem deficiência nesta festa religiosa”, finalizou.
Texto: Aline Saavedra