Desde o aniversário do Olympia, em abril, que o cinema tem buscado trazer ao público belenense filmes de grandes cineastas brasileiros que muito contribuíram para o crescimento e divulgação do cinema nacional. Seguindo esta programação, o Olympia promove, de 27 de agosto a 2 de setembro, a Mostra Cacá Diegues, uma homenagem ao premiado diretor Carlos Diegues, que reúne no currículo cerca de quarenta obras, entre curta-metragens, longa-metragens, documentários, produções para a televisão, DVDs e videoclipes.

A Mostra Cacá Diegues traz seis títulos de grande sucesso: “A Grande Cidade” (1966), com Anecy Rocha; “Joanna Francesa” (1973), com Jeanne Monreau; “Xica da Silva” (1976), com Zeze Motta; “Chuvas de Verão” (1978), com Jofre Soares e Miriam Pérsia; “Deus É Brasileiro” (2001), com Antonio Fagundes e “O Maior Amor do Mundo” (2006), com José Wilker. As sessões acontecem sempre às 18h30, com entrada gratuita.

Junto com outros jovens cineastas nos anos 60, Cacá foi um dos fundadores do Cinema Novo, um estilo cinematográfico feito com maior realismo, mais substância e mais barato, inspirado pelo Neo-realismo dos cineastas italianos e pela ‘Nouvelle Vague’ francesa.

“Diegues conquistou o reconhecimento da crítica e o público por trabalhos autorais que procuram discutir a realidade brasileira. A mostra exibirá títulos importantes de sua filmografia que merecem ser conhecidos pelas novas gerações de cinéfilos e tem apoio do próprio cineasta e sua produtora, Luz Mágica”, conta o programador do Cinema Olympia, Marco Moreira.

Filmes que retratam a realidade brasileira estrelam a Mostra

"A Grande Cidade" conta a história de Luzia (Anecy Rocha) que, vinda do Nordeste, chega ao Rio de Janeiro a procura de seu noivo, Jasão. Na busca, Luzia conhece Calunga, malandro carioca que a introduz a cidade, e Inácio, também nordestino, que só pensa em voltar a sua terra. Ela descobre que Jasão mora numa favela e que havia se tornado um temido assaltante. Antes que possa salvá-lo de seu destino, ela e Jasão acabam vítimas dos conflitos e da violência de uma cidade grande.

“Joanna Francesa” se passa em 1930. Jeanne (Jeanne Moreau) é a dona de um prostíbulo em São Paulo. Um cliente alagoano, apaixonado por ela, a leva para sua fazenda de cana-de-açúcar, onde Jeanne entra em contato com costumes que acabam por arrebatá-la a um mundo ético e cultural que nunca havia conhecido. Ela acaba assumindo a liderança da família, que está em plena decadência.

“Xica da Silva”, o maior sucesso de Cacá Diegues, se passa na segunda metade do século 18, no qual a escrava negra Xica da Silva (Zezé Motta) torna-se o centro das atenções no Distrito Diamantino, onde estão as minas mais ricas do país. João Fernandes (Walmor Chagas), representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia.

“Chuvas de Verão” é a história de Afonso (Jofre Soares) que, ao se aposentar, decide viver com tranquilidade no subúrbio onde mora. Em sua primeira semana de ócio, em um tórrido verão, ele se envolve com os problemas de sua filha, de seus amigos e de sua vizinhança, aprendendo com eles a viver novamente. Até sua convivência com Isaura (Miriam Pires), vizinha de tantos anos, se modifica. Os dois iniciam uma relação de amizade, amor e respeito.

“Deus é Brasileiro” traz Antonio Fagundes no papel de Deus. Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, o Todo-Poderoso resolve tirar umas férias dela e descansar em alguma estrela distante. Antes, Ele precisa encontrar um substituto para ficar em seu lugar e decide procurá-lo no Brasil. Seu guia na busca será o pescador Taoca (Wagner Moura). Juntos, eles rodam o país em busca do substituto ideal. O filme é uma livre adaptação do conto "O Santo que não Acreditava em Deus", de João Ubaldo Ribeiro.

"O Maior Amor do Mundo" – com roteiro original escrito apenas por Diegues, fato incomum em sua carreira -, traz o personagem Antônio, vivido por José Wilker. Famoso astrofísico brasileiro e professor em uma universidade americana, ele recebe a notícia de que tem uma doença fatal. Ao retornar ao Brasil para receber uma homenagem oficial, ele descobre a identidade de seus verdadeiros pais e a surpreendente história de amor entre eles.

Diretor respeitado e premiado

A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, Estados Unidos e América Latina – o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos em todo o mundo. Objetos de estudos e teses publicados no Brasil e em outros países, seus filmes e sua carreira são citados em todas as principais enciclopédias de cinema. A França lhe concedeu o título da Ordem das Artes e das Letras (l'Ordre des Arts et des Lettres), da qual já é hoje Oficial (Officier). Também é membro da Cinemateca Francesa.

Em julho de 2003, Carlos Diegues foi nomeado membro do Conselho Superior de Integração Social da Universidade Estácio de Sá. O governo brasileiro também lhe concedeu o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro lhe outorgou também a Medalha Pedro Ernesto.

Recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Roberto Rossellini pelo Conjunto da Obra (2008); o Prêmio Vida y Trabajo pelo conjunto da obra no Festival de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em 2007; o Troféu Gloria, Lifetime Achievement Award, em Chicago (EUA), em 2005; o Troféu Eduardo Abelin pelo conjunto da obra, no Festival de Gramado, em 2003 e o Golden Reel Award concedido pelo HBO Group, pelo conjunto da obra, em 2000, entre outros.

Programação:

Dia 27.08 (quinta-feira) – A GRANDE CIDADE (1966) com Anecy Rocha

Dia 28.08 (sexta-feira) – JOANA A FRANCESA (1973) com Jeanne Monreau

Dia 29.08 (sábado) – XICA DA SILVA (1976) com Zezé Motta

Dia 30.08 (domingo) – CHUVAS DE VERÃO (1978) com Jofre Soares e Miriam Pérsia

Dia 01.09 (terça-feira) – DEUS É BRASILEIRO (2001) com Antonio Fagundes

Dia 02.09 (quarta-feira) – O MAIOR AMOR DO MUNDO (2006) com José Wilker

*As sessões acontecem sempre às 18h30

Texto: Lilianne Villacorta