Para os jovens e adultos, moradores da região do Combu, que interromperam os estudos antes de concluir o ensino fundamental, a última segunda-feira (10), foi um dia de recomeço. Dia de entrar na sala de aula da Escola Milton Monte, localizada no Combu, e dar início ao calendário de estudos da Educação de Jovens e Adultos (Eja) na região, uma iniciativa da prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semec).

Antes do início das aulas, o material escolar foi entregue aos alunos, que assim como qualquer outro aluno da Rede Municipal de Ensino de Belém, também receberam merenda e transporte escolar. O carpinteiro naval Manoel Brasil Costa, de 65 anos, relembrou os motivos que o fizeram parar de estudar. “Eu trabalho desde os 10 anos de idade com o meu pai, cortando seringueira, pescando, e outras coisas. A escola era muito distante. Tinha que remar três horas para chegar lá. Estudar naquele tempo era só para quem podia. E hoje, eu estou aqui para começar de novo, para não ter que pedir ajuda para ler, escrever ou fazer contas”, disse confiante.

A modalidade da Eja, agregada a educação do campo, obedece uma diretriz diferenciada que busca atender as especificidades do povo ribeirinho, respeitando e valorizando a realidade dos alunos. “A escola é apenas um espaço de aprendizagem. O rio, as florestas, a biodiversidade são aspectos que os alunos dominam e juntando isto com os conceitos, vai ser mais fácil ensinar e aprender”, afirmou o técnico da Eja, na Semec, Benedito Costa.

Waldiléa Conceição de Oliveira, 33 anos, estudou até o quinto ano do ensino fundamental. Já passou por muitos momentos difíceis por não ter concluído os estudos, mas para ela, a maior dificuldade é na hora em que os seus filhos, que também estudam na escola Milton Monte, fazem o dever de casa. “Meus filhos me pedem que os ajude a fazer o dever de casa e eu não sei ensiná-los. Essa é a maior falta que o estudo me faz. Por isso também estou aqui, para aprender e ajudar os meus filhos”, disse emocionada.

As aulas seguem na Escola Milton Monte, de segunda a sexta-feira, de 16h30 às 19h30. Ainda nas ilhas, desde maio, a Unidade Pedagógica Nossa Senhora dos Navegantes, na ilha da Várzea e a Unidade Pedagógica Mari Mari, na ilha de Mosqueiro, deram início a turma da Eja, totalizando o número de 63 alunos ribeirinhos matriculados.

A Eja é dividida em quatro modalidades. A primeira corresponde ao 1º, 2º e 3º ano do ensino fundamental; a segunda, ao 4º e 5º ano; a terceira, ao 6º e 7º ano; e a quarta, ao 8º e 9º ano do ensino fundamental. Cada etapa é concluída em um ano.

Texto: Aline Saavedra