Belém e Rio de Janeiro estão realizando uma pesquisa pioneira cujo objetivo é a produção totalmente nacional da vacina tríplice viral, que imuniza contra sarampo, rubéola e caxumba. O estudo está sendo feito pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e Instituto Evandro Chagas (IEC). Em Belém, a pesquisa tem a parceria da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).

A pesquisa está sendo desenvolvida nas Unidades Municipais de Saúde do Guamá, Jurunas e Marambaia e no Centro Saúde Escola do Marco, sob a coordenação do médico-pesquisador do IEC Lúzio Ramos. O estudo prevê a inclusão de 1.560 crianças na faixa etária de 12 a 19 meses e 29 dias.

“Trata-se de um estudo de fase três cujo objetivo é provar que a vacina é imunogênica, ou seja, confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, e é segura, ou seja, não apresenta efeitos adversos graves. Vale ressaltar que é uma transferência de tecnologia, na qual o Instituto Bio-Manguinhos passará a produzir a vacina tríplice viral definitivamente, em âmbito nacional. Ela que é produzida originalmente por um laboratório belga. Isso tornará o Brasil auto-suficiente nessa produção e capaz de garantir o abastecimento nacional, evitando o grave problema do desabastecimento que ocorre com algumas vacinas. O desabastecimento, por seu turno, é o responsável pela baixa cobertura vacinal que, por sua vez, é a responsável pelo reaparecimento da doença. O sarampo, por exemplo, é uma ameaça, pois ele vem ocorrendo em vários países e inclusive no Brasil, com maior registro no Ceará. Este ano aquele estado já registrou 141 casos”, explica Lúzio Ramos.

De acordo com o médico-pesquisador, cada criança participante da pesquisa tem o acompanhamento de uma pediatra durante todo o período do estudo, que é de um ano. Já os responsáveis pela criança recebem um diário de anotação de eventos adversos, no qual vão registrar, durante dez dias, se há ou não a ocorrência de dor, vermelhidão e/ou inchaço no local da vacina, alteração no comportamento e na temperatura da criança e medicamentos ingeridos após a vacinação.

“As crianças são captadas para o estudo por uma equipe distribuída em cada uma das unidades participantes. O benefício dessa pesquisa é enorme para crianças do Brasil e de todo o mundo todo”, ressalta Lúzio.

Para Nazaré Athaíde, coordenadora do Programa Municipal de Imunização da Sesma, a pesquisa é grande relevância para o futuro da população. “É por meio das vacinas que conseguimos erradicar muitas doenças que podem levar à morte. Hoje, temos em Belém o IEC, que possui grande credibilidade na comunidade científica e da sociedade em geral, o qual já desenvolve esse tipo de pesquisa há pelo menos quatro décadas, contribuindo para a melhoria da saúde pública na região e no País”, destaca a coordenadora.

SERVIÇO: Quem quiser participar da pesquisa pode procurar as Unidades Municipais de Saúde da Marambaia, Guamá e Jurunas, o Centro Saúde Escola do Marco ou a Coordenação de Imunização da Sesma para mais informações, no telefone 3344-2459 ou 98733-2372. A participação na pesquisa é voluntária.

Texto: Paula Barbosa