O nome chama atenção, mas poucas pessoas sabem o que são os animais sinantrópicos. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Saúde de Belém, são aqueles que se adaptam ao convívio com o homem, geralmente causando agravos à sua saúde e prejuízos ao meio ambiente. São exemplos os pombos, as lesmas, os ratos e os morcegos.
Nos últimos dez anos, o CCZ realizou 2.433 visitas técnicas para orientar a população no manejo desses animais e orientações de controle e prevenção. Os pombos lideram as ocorrências, com mais de 600 solicitações de visitas nesse período.
De acordo com Hugo Lau, médico veterinário do CCZ, as modificações ambientais decorrentes do processo de urbanização, ao longo do tempo, geraram condições facilitadoras para a aproximação da população humana com a de outros animais, algumas não desejáveis, originando o fenômeno da sinantropia.
“Neste processo de implantação e crescimento das cidades, o homem interveio e se apropriou dos espaços naturais, alterando-os em prejuízo de espécies que neles viviam de maneira equilibrada, aliados aos problemas crescentes que decorrem da falta do planejamento urbano, da destinação de lixo, entre tantos outras, fortalecem o elo entre algumas espécies de pragas com o homem no meio urbano, permitindo que estas recebam do próprio homem os elementos indispensáveis à sua preservação, ou seja, água, abrigo e alimento. Convivência esta, que acaba gerando prejuízos à sociedade de uma maneira geral”, explica Hugo.
No caso de controle de ratos, o CCZ realiza desratizações somente em espaços públicos. Nos últimos dez anos, foram realizadas mais de 3.600 ações de combate aos roedores, sendo maior número de atuações em vias públicas (904), feiras (837), escolas (688), órgãos públicos (510), unidades de saúde (466) e canais (220).
No combate aos ratos, o CCZ recomenda as seguintes medidas preventivas: limpar diariamente, antes do anoitecer, os locais de refeições e preparo de alimentos, recolher os restos alimentares em recipientes adequados, preferencialmente, sacos plásticos, que deverão ser fechados e recolhidos pelo serviço de coleta urbana. “É fundamental deixar de lado o hábito de acumular objetos inúteis ou em desuso, manter armários e depósitos arrumados, sem objetos amontoados, não deixar encostados em muros e paredes objetos que facilitem o acesso dos roedores, bem como colocar telas removíveis em abertura de aeração, entradas e condutores de eletricidade ou vãos de adutores de qualquer natureza. Agindo desta forma, você minimiza a possibilidade de um roedor entrar em sua residência e transmitir doenças como a leptospirose”, ensina o veterinário.
Pombos, lesmas e morcegos também merecem cuidados especiais
Os pombos não são comuns da fauna brasileira, mas se adaptaram totalmente ao clima do país e podem transmitir 57 tipos de doenças. Em Belém, somente em 2014, o CCZ realizou 38 visitas técnicas de controle à espécie. “Os pombos costumam se instalar em beirais, principalmente em áreas onde encontram comida. Ressaltamos que é proibido dar veneno aos pombos, pois a espécie é protegida pela lei brasileira. Recomendamos medidas de controle, como usar telas de arame ou alvenaria para vedar aberturas em forros, sótãos e paredes, como o buraco para o aparelho de ar-condicionado”, orienta Hugo.
O veterinário também recomenda colocar fios de náilon (fio de pesca) 10 centímetros acima da superfície dos beirais. Outra opção é alterar a base de apoio reta para uma inclinada. “É um recurso que pode ser utilizado para dificultar o pouso dos pombos. Em locais com corredor de ar, pendure objetos coloridos. Não alimente os pombos e remova os restos de comida de animais domésticos. Em prédios altos, utilize pontas de lança para evitar o pouso dos pombos”, esclarece.
Para as lemas ou caracóis, as medidas de controle também são simples. O veterinário do CCZ explica que esses moluscos são atraídos pelos locais úmidos e com mato alto. “Essa atração é fatal se for usada em armadilhas, em alternativa aos venenos químicos. Armadilhas de cerveja podem ser feitas com metades de garrafas de plástico enterradas ao nível do solo, com a tampa para baixo, e cheias de cerveja. Outra opção é a armadilha de laranja, colocando-se metade de uma laranja no chão. Assim, os caracóis que forem apanhados, serão mortos por incineração”, diz Lau.
Outra forma de bloquear o avanço das lesmas é criar superfícies rugosas, como barreiras feitas com conchas partidas ou cascas de ovos esmagadas.
Já para os morcegos, a melhor e única medida preventiva é a vedação de entradas para locais fechados e escuros, como sótãos, porões, poços de elevador, barracões, casas ou cômodos abandonados. Em edifícios, vedar juntas de dilatação. “Não use veneno contra os morcegos. O melhor jeito de lidar com o problema é diminuindo ao máximo o acesso aos locais em que eles poderiam se abrigar”, conclui Hugo.
A adoção das medidas preventivas desses animais evita o uso de produtos químicos, que eliminam não só as espécies indesejáveis como também outras espécies benéficas, além de promoverem a contaminação da água e do solo e não evitarem novas infestações.
Serviço: Em caso de superpopulação de animais sinantrópicos (lesmas, morcegos, pombos e ratos), entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses/Sesma pelo telefone 3344-2350, 3227-2088 e 3227-0355.
Texto: Paula Barbosa