“Sou homem para amar e não para matar: violência não compartilho!”. Foi com este lema que mais de três mil homens foram às ruas de Belém na manhã deste domingo, 30, para participar da II Caminhada dos Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher. A mobilização, em alusão à campanha do Laço Branco, é uma ação da Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel), com o apoio da Prefeitura Municipal de Belém.
A caminhada, que saiu da praça do Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN) e seguiu até a praça da República, reuniu mais de 30 instituições. Vários grupos formados por homens das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal de Belém, das Polícias Civil e Militar, Guarda de Nazaré, Escoteiros, atletas, associações comunitárias, além de representantes de secretarias municipais e sociedade em geral marcaram presença nesta marcha de conscientização e luta pelos direitos das mulheres.
“Com o apoio de diversos segmentos representativos, queremos trazer os homens para o debate, para que eles possam nos ajudar a chamar a atenção da sociedade para esta luta. Os homens devem ser defensores das mulheres e multiplicadores do amor e respeito que toda mulher merece receber”, enfatizou a titular da Coordenadoria da Mulher de Belém, Noeme Barbosa.
Durante a caminhada, foram distribuídos laços brancos e panfletos educativos à população. A ação foi conduzida por um trio elétrico onde profissionais envolvidos divulgavam mensagens e informações sobre o tema.
A Delegada da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Alessandra Jorge, passou informações importantes sobre a Lei Maria da Penha e dados expressivos sobre a violência doméstica.
“Fazemos, por mês, cerca de 600 boletins de ocorrência. Isso reflete, sobretudo, a vontade da mulher em quebrar esse ciclo da violência. Só de elas irem até a delegacia para falar sobre um assunto tão delicado já significa muito. Porém, esta é uma questão que precisa ser tratada na raiz do problema, com políticas públicas e educativas, envolvendo toda a sociedade. O combate à violência contra a mulher é uma causa pela qual todos nós devemos dar as mãos e iniciativas como esta são muito importantes no processo de conscientização”, pontuou a delegada.
Mobilização
Participante da caminhada pela primeira vez, a Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, que é formada exclusivamente por homens e atualmente possui 1,2 mil membros, fez questão de apoiar a iniciativa.
“É com grande satisfação que, a partir deste ano, passamos a integrar a caminhada. É uma ideia bastante louvável agregar os homens nesta ação em defesa da mulher, pois tem grande efeito e é capaz de melhorar a própria estrutura familiar, onde a mulher tem papel essencial. Dentro da Guarda, nosso maior princípio é pregar a palavra de Deus e a valorização da família faz parte disso”, destacou o coordenador da Guarda de Nazaré, Edmilson Santos.
Quem também esteve pela primeira vez na caminhada foram os atletas de várias modalidades esportivas, entre elas as artes marciais. Para o representante da Federação Esportiva Educacional Paraense de Karatê, Ivan Carvalho, este apoio é importante para mostrar que quem pratica esporte de luta não é a favor da violência, seja ela contra a mulher ou qualquer outro ser vivo.
“Não é porque somos artistas marciais que nós cultuamos a violência, muito pelo contrário, a gente busca a disciplina, o autocontrole e, acima de tudo, o respeito ao próximo. A violência não é o caminho e nós, homens, devemos defender e propagar esta causa”, ressaltou Ivan.
Representando a União dos Escoteiros do Brasil – Região Pará, que participa da caminhada deste a primeira edição, Walmir Alves contou que esta ação pelo fim da violência contra a mulher se adequa completamente aos princípios escoteiros.
“Fazemos um trabalho com os escoteiros de desenvolver valores fundamentais para a vida em sociedade. Então, é de grande importância tratar sobre este assunto desde a infância, pois assim teremos homens conscientes, de caráter, que saibam valorizar a figura feminina”, enfatizou Walmir.
Gerson da Costa foi um dos homens presentes que vieram de diferentes localidades de Belém prestigiar a caminhada. Ele, que é do Conjunto Carmelândia, relatou que na sua comunidade já viu vários casos de violência contra a mulher e acredita que a participação do homem em movimentos em defesa da mulher ajuda a divulgar os direitos femininos e pode contribuir para uma mudança de comportamento e da forma como a mulher é vista na sociedade.
“Infelizmente, as mulheres, por serem mais frágeis e sensíveis, acabam ficando vulneráveis a situações em que homens se utilizam da força que têm para se impor, achando que são superiores. Esses homens veem as mulheres como objeto, o que elas não são. A mulher é uma companheira, uma pessoa que se dedica aos filhos e ao marido, que trabalha e luta pelo bem estar da família, então ela tem que ser reconhecida e merece ser tratada com amor e respeito”, concluiu Gerson.
< Texto: Lilianne Villacorta