O céu de Mosqueiro teve um cenário diferente neste sábado, 29. Inúmeras pipas invadiram os ares da praia do Farol ao mesmo tempo em que as ondas ajudavam os atletas de surf, kitesurf, body board e stand up paddle a competir pelo primeiro lugar. Assim foi o segundo dia de “Moca Radical”, neste sábado, 29. O evento de esportes radicais é realizado pela Federação Paraense de Surf (Fepasurf), Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo), em parceria com a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e o governo do Pará.
Poucos sabem que o rio de água doce que faz as praias de Mosqueiro é o único no mundo a formar ondas e propício para a prática do surf. Nativo da ilha, Márcio Correa, 37, surfa há mais de 25 anos e representou com orgulho o distrito. “Você tem que fazer o máximo que você pode quando se está competindo. Para mim é muito importante representar Mosqueiro na frente de tantos surfistas de fora. Eu estou no quintal da minha casa e é uma honra representar minha ilha”, contou.
Com apenas 16 anos, a jovem Deise Silva veio direto de Salinópolis até Belém para participar do evento. “O evento está sendo sensacional. As ondas daqui são diferentes das de Salinas. Mas eu fiz o meu melhor para essa final”, ressaltou a finalista da categoria feminina de surf.
Para uns, as ondas do rio não estavam ajudando na competição, mas para Rogério Dantas, do Ceará, este é um fenômeno inexplicável da natureza. “É a minha terceira vez aqui em Mosqueiro. Acho incrível o fato de uma hora não formar nenhuma onda e em um piscar de olhos, ondas bem grandes. Esse evento é uma inovação para o surf do Pará”, pontuou Rogério, que também citou a importância do surf para resgatar os jovens das ruas.
Uma mini ramp de skate foi montada na areia da praia do Farol e fez a alegria de crianças e jovens, que largavam a prancha de surf para se equilibrar nas pranchas dos skates. O slackline foi outra modalidade que também movimentou os atletas e visitantes do evento.
Para fechar com chave de ouro o segundo dia de “Moca Radical”, os shows do “Surf Paradise” agitaram todos que passaram a tarde inteira acompanhando as competições. O reggae foi o ritmo musical da noite. “Eu moro aqui e vim torcer por nossos atletas locais. O surf estava esquecido aqui na ilha, mas agora com esse evento podemos ter mais visibilidade e o esporte voltou a incentivar nossos jovens. Tenho muito orgulho dos nossos atletas” explicou Izadora Brito, estudante e moradora do distrito que fez questão de ficar até o final da programação.
Texto: Caroline Torres