Na próxima segunda-feira, 1º, o Instituto de Previdência e Assistência do Município de Belém (Ipamb) lança o Projeto Recuperação. O evento segue até o dia 2, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.
Em pouco mais de um mês de funcionamento experimental, o projeto já atendeu mais de 450 servidores municipais. A iniciativa tem o objetivo de garantir informação, conscientização e tratamento aos servidores municipais que se encontram em estado de dependência, bem como aos seus familiares.
A palestra de lançamento, intitulada “Vícios x virtudes e a influência das drogas na sociedade”, será proferida pela fundadora da organização social Embaixadores da Prevenção, Sandra Sahad, que acumula mais de uma década de trabalho com dependentes químicos. Sandra tem cinco livros escritos sobre vícios e virtudes e apresenta o projeto In-Dependentes, na TV Século 21.
As atividades previstas no lançamento serão realizadas das 9h às 12h e das 15h às 18h, nos dois dias, podendo os interessados escolherem de que turno participar.
O Ipamb tem o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no projeto; cujas ações incluem informar e refletir sobre o uso de drogas; manter grupos de ajuda mútua; dar manutenção à recuperação pessoal, formando agentes multiplicadores da mensagem de recuperação; dar suporte de atendimento residencial para o servidor e seus familiares; elaborar o Plano de Prevenção de Recaída (PPR), capaz de fortalecer o propósito que ajude o dependente químico a se manter longe das drogas; e disponibilizar uma linha telefônica de assistência e aconselhamento aos dependentes e seus familiares, garantindo o anonimato nos momentos de crise.
Segundo Murilo Guimarães, coordenador do projeto, um dos grandes diferenciais da iniciativa é dar apoio 24 horas por dia ao dependente. “É como um SOS. O projeto existe oficialmente desde 4 de agosto, mas há dois meses estamos atendendo e já realizamos 400 atendimentos”, revela ele, que identifica no Programa de 12 Passos, criado nos Estados Unidos em 1935 por William Griffith Wilson e Doutor Bob Smith, uma das alternativas mais eficientes de assistência.
O trabalho, explica Murilo, precisa ser contínuo. Apoiados por uma rede de serviços, as oito pessoas que estão à frente do projeto e os mais de 50 voluntários envolvidos atendem os servidores e familiares e os encaminham conforme as necessidades de cada caso. “A dependência é uma doença crônica, de longa evolução. Evitamos falar em cura, pois a pessoa que sofre com a dependência precisa de acompanhamento contínuo”, diz Murilo.
Uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras e médicos de variadas especialidades dão apoio contínuo ao projeto. É necessária a avaliação individualizada para se optar pelas melhores intervenções terapêuticas disponíveis, incentivando a participação do paciente e dos familiares no processo de tratamento.
Murilo alerta, ainda, que a dependência, sobretudo a química, deve ser encarada pela família com sensibilidade, pois se trata de uma doença grave, que exige diálogo, nunca uma postura de acusação. E é nesse sentido que o Projeto Recuperação atua.
Texto: Lilian Leitao