Aos 82 anos, Dona Raimunda Pinheiro procurou a Unidade Municipal de Saúde do bairro do Telégrafo para tratar de dores intensas nos ombros e na cintura. Depois de consulta médica, ela recebeu encaminhamento para participar das atividades do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). “Como esses exercícios estão mudando a minha rotina. As dores estão diminuindo, já consigo ir à feira, ando sozinha. Espero que nunca acabe esse trabalho porque me sinto muito bem aqui”, diz a aposentada.
Assim como ela, outras 80 pessoas participam das atividades da equipe do NASF que acontecem na UMS Telégrafo, UMS Vila da Barca, Estratégia Saúde da Família da Pirajá e do Barreiro I. “Esse é o trabalho de apenas uma equipe. Ainda há mais dez em atuação em Belém vinculadas às unidades de saúde e às equipes de Estratégia Saúde da Família. A resposta da comunidade tem sido muito positiva”, ressalta Alessilva Oliveira, coordenadora do NASF em Belém.
Cada equipe do núcleo é multiprofissional, composta de psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista e educador físico. O trabalho é desenvolvido em conjunto com as equipes das Estratégias Saúde da Família (ESFs) e das unidades de saúde, e englobam orientação em grupo, palestras sobre temas da atenção básica, atividade física, práticas corporais e consultas com esses profissionais.
O NASF atua também em parceria com as escolas. Alessilva explica que o trabalho também é preventivo para a população, com apoio das ESFs, evitando, assim, os encaminhamentos para especialidades médicas e diminuindo a espera por atendimento especializado.
De acordo com Carlos Fabian, educador físico do NASF, o grupo da UMS do Telégrafo começou em abril, com quatro pessoas. Conforme as atividades foram sendo desenvolvidas, o interesse da comunidade aumentou. “Hoje nossos participantes são desde crianças de seis anos a idosos de 87. O trabalho do NASF é para promover a saúde de todos. Atendemos pessoas vindas por encaminhamentos médicos, como diabéticos, hipertensos, obesos, sequelados, assim como as demandas espontâneas, que são aquelas pessoas que querem praticar a atividade física para manutenção da saúde”, explica.
A participação no NASF já tem efeitos sobre a saúde de dona Maria José, 69 anos. A aposentada estava sofrendo com falta de oxigenação no cérebro, perda de memória com frequência e convulsões. Após entrar no grupo, ela conta toda feliz que sua vida deu um salto em qualidade. A mesma opinião é compartilhada por dona Maria Assunção, 67 anos, que relata que as dores que a impediam de exercer seus movimentos com autonomia ficaram para trás. “Nem em casa me descuido dos exercícios. Faço um pouquinho de cada vez durante o dia, conforme o professor ensina aqui. Me sinto mais esperta. Esse projeto não pode parar e é umas melhores coisas que já colocaram para a comunidade”, diz a idosa.
O NASF também atua com pessoas com transtornos mentais, depressivas e famílias em situação de risco social, com a realização de atendimentos específicos e encaminhamentos para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).
ACS também tem apoio do NASF
Os Agentes Comunitários de Saúde compõem uma turma do NASF. Eles participam de ginástica laboral, pilates e core (trabalho com o abdômem). O objetivo é fortalecer física e mentalmente a equipe para desenvolver a atividade com mais resistência, auto-estima e bom humor. “Após a implantação do NASF, tivemos um ganho de produtividade imenso. Esses profissionais desenvolvem suas atividades com mais amor e carinho. Só aqui na unidade temos mais de oito mil famílias cadastradas. Para fazer todos esses atendimentos, temos que valorizar o maior patrimônio que a Prefeitura de Belém tem, os funcionários. Por isso a equipe do NASF está de parabéns pelo sucesso”, ressalta Nelson Cardoso, gerente da UMS Telégrafo.
Texto: Paula Barbosa