Reduzir o número de casos de abandono do tratamento contra a tuberculose e garantir a cura da doença nas populações vulneráveis, é o objetivo da estratégia que deverá ser implementada pelas áreas da saúde e assistência social, em Belém. O tema foi apresentado e discutido com os servidores que atuarão diretamente com estes pacientes, tanto nas Unidades Municipais de Saúde (UMSs) quanto nos Centros de Referência à Assistência Social (Cras), no I Encontro de Integração entre Assistência Social e Assistência à Saúde, realizado nesta quarta-feira, 23.
De acordo com os dados do Ministério da Saúde, em 2012, foram notificados 71.123 novos casos de tuberculose no Brasil, tendo ocorrido 4.406 mortes em função da doença, naquele ano. A tuberculose é, ainda, a quarta causa de morte por doenças infecciosas e, quando associada ao vírus HIV, é considerado o primeiro motivo que leva estes pacientes a óbito, no país. Para combater esta realidade, o Ministério tem investido na ampliação do diagnóstico com testes rápidos e promovido a articulação com a sociedade civil organizada, a fim de unir esforços contra a doença.
Dentre as populações mais vulneráveis encontram-se os indígenas, os privados de liberdade, os que têm o vírus HIV e os que se encontram em situação de rua, que são 44 vezes mais suscetíveis à doença. A estratégia do município de Belém para promover a cura e o não abandono do tratamento, principalmente entre a população de rua, é a integração da rede de saúde com a assistência social. “Através da integração, os profissionais dos Cras poderão identificar entre a população atendida pelos Centros, aqueles que apresentem sintomas, e fazer o encaminhamento destes às Unidades de Saúde para a realização de exames”, explicou Carlene Castro, coordenadora municipal de referência técnica em Tuberculose e Hanseníase.
Todo o tratamento dura seis meses e é gratuito na rede, entretanto, o abandono por parte dos pacientes, acaba fazendo com que a tuberculose se torne resistente aos medicamentos. Em 2013, por exemplo, a taxa de abandono foi de 11%. Daí o papel dos técnicos dos Cras, já que após a confirmação do diagnóstico positivo para a doença, os Centros de Referência farão o acompanhamento do usuário em tratamento, trocando informações com a UMS sobre a situação do paciente. “Infelizmente, apenas a saúde não tem condições para atender e fazer a busca destas pessoas que vivem em vulnerabilidade e até em situação de moradia de rua. Como os Cras e Casas de Acolhimento já praticam essa assistência, 54 técnicos já foram treinados e outros ainda serão sensibilizados para identificar os sintomas e conhecer o protocolo de atendimento, desde o encaminhamento até a conclusão do tratamento”, frisou a coordenadora.
Para a técnica em assistência social da Funpapa, Consuelo Couto, ações de integração dos técnicos da assistência com os da saúde são importantes para promover a sensibilização e para que todos compreendam a importância de manter o tratamento das pessoas em situação de rua. “Esta comunhão de esforços é uma das diversas estratégias para que consigamos atingir as populações vulneráveis e, também, suas famílias, e possamos dar o devido tratamento e reduzir estes índices relacionados à tuberculose”, disse.
O que é tuberculose?
A tuberculose é transmitida por via respiratória, de pessoa a pessoa, ao espirrar, tossir ou falar. O exame para detecção da doença pode ser feito durante todo o ano nas Unidades Municipais de Saúde (UMSs) e Estratégias Saúde da Família (ESFs) e o tratamento é gratuito e disponível em toda a rede. Uma vez detectada a doença e iniciado o tratamento, o exame de escarro deve ser repetido mensalmente, para verificação da eficácia dos medicamentos administrados.
Entre os sintomas da doença estão a tosse seca ou com secreção por três semanas ou mais e pode vir ou não acompanhada de febre, falta de apetite, perda de peso, cansaço ou dor no peito. A tuberculose é mais comum em indivíduos que estão com as suas defesas naturais diminuídas ou que convivem de forma muito próxima com quem tem tuberculose, seja em casa, no trabalho, em hospitais, em prisões ou em albergues.
O município de Belém tem investido no Tratamento Diretamente Observado (TDO), em que os pacientes precisam comparecer à Unidade de Saúde diariamente, para receber a medicação em jejum e de forma supervisionada pelos profissionais do serviço. Em 15 destas UMSs (Tapanã, Guamá, Jurunas, Marambaia, Pratinha, Cabanagem, Benguí II, Telégrafo, Paraíso dos Pássaros, Sacramenta, Satélite, Icoaraci, Tavares Bastos, Terra Firme e Curió-Utinga) após a administração do medicamento, é oferecido um café da manhã aos pacientes em tratamento. Já nas Estratégias Saúde da Família (ESFs), as equipes realizam as visitas domiciliares e administram os medicamentos nas residências.
Texto: Gisele Nogami