Ele acorda às sete da manhã, se arruma, toma café e sai da casa onde mora no bairro de Val-de-Cães para pegar o ônibus que o levará até o Ginásio Altino Pimenta, na Avenida Visconde de Souza Franco. Lá, Alehandro Ryan, de 12 anos, participa dos treinos de futsal promovidos pela Secretaria de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel) todas as segundas, quartas e sextas-feiras, sempre a partir das 9h.
Alehandro admite, “é uma rotina cansativa”. Mas que vale a pena, segundo ele, por se tratar de um sonho. “Ser jogador de futebol é o meu grande sonho. É muito cansativo, vou pro treino de manhã, depois vou pra casa almoçar e já saio pro colégio e de noite eu vou pra igreja com minha avó. No final vale a pena”, garante Alehandro.
O pré-adolescente é um dos 4000 beneficiados pelo projeto Escola de Esportes da Sejel, que atende crianças, adolescentes e jovens com idade entre 08 e 17 anos com as modalidades vôlei, futsal, natação, basquete, atletismo, hidroginástica, judô, futebol de campo e ginástica. “O que a gente tem feito aqui tem mudado a realidade de muita gente. Não é à toa que a cada dia o número de alunos tem aumentado de maneira bastante significativa”, comenta o coordenador do projeto Lucas Paz.
Desde o ano passado, o atendimento nos polos esportivos cresceu 30%, após o aumento dos recursos e aparelhamento destinado aos espaços, o que garantiu a ampliação do número de alunos assistidos. O acompanhamento social e psicológico é uma novidade no projeto na busca de identificar o perfil e o impacto das atividades no desempenho dos estudantes. “Esse acompanhamento social tem identificado com que tipo de jovem estamos trabalhando e em que realidade esse jovem se encontra. A partir daí, a gente consegue obter mais resultados porque contamos com a ajuda dos pais também ,que são contatados quando necessário”, ressalta o coordenador.
“Com informações em mãos a gente consegue trabalhar de uma forma a obter mais resultados quando a gente sabe em que tipo de realidade aquele aluno se encontra. Então, é um acompanhamento tanto interno quanto externo”, acrescenta Lucas.
Perguntado sobre o que pretende ser quando crescer, Mateus Henrique, de 12, não tem dúvidas. “Quero ser atacante de futebol”, dispara. “Eu poderia estar em casa dormindo ou até mesmo na rua, mas estou aqui treinando porque quero ser atacante”.
Há quase 20 anos trabalhando na área, o técnico Anderson Dias, que orienta os alunos da Sejel, afirma que essa é a melhor solução para tirar crianças da rua. “Não há projeto nenhum quem tire crianças da rua como o esporte. E o nosso objetivo não é apenas formar atletas, mas preparar cidadãos com disciplina e responsabilidade”.
“Eu tenho visto o crescimento dessas crianças. A autoestima deles tem aumentado a cada dia. O nosso projeto ajuda tanto no desenvolvimento esportivo quanto na integração social”, observa o técnico Anderson.
A mãe de Enzo de nove anos, dona Joana Gomes, concorda com o que diz o professor diz que viu no esporte a única solução para tirar o filho do sedentarismo. “Meu filho ficava em casa a manhã toda jogando videogame e assistindo televisão e à tarde ia pra escola. Por isso, decidi colocá-lo aqui na escolinha. Ele precisava praticar algum esporte”, comenta a mãe.
Democrático, o Projeto Escola de Esportes é dirigido para crianças de famílias carentes, mas não excluiu Solon Bezerra, de 13 anos, fez questão de sair do time em que treinava em uma escola particular, para treinar com a equipe da Sejel. “Eu vi que aqui eu poderia ter um maior crescimento profissional. Todos os meus amigos do meu antigo time também vieram pra cá”, contou o adolescente.
Texto: Vanessa Lago