“Quando eu matriculei meu filho no jardim, tinham dois pais que falavam que ele só iria atrapalhar na sala de aula. Mas eu não desisti, eu não aceito que digam que o meu filho não é capaz. Ele é capaz sim, pode não ser da mesma forma como nós fazemos, mas sim de outras formas e no tempo dele. Lutei junto com a professora pra que ele exerça esse direito de estudar e consegui. Aos poucos ele tá evoluindo e evoluindo muito. Pra mim ele é uma criança normal, que faz tudo e inclusive é repreendido quando age com mau comportamento”. O depoimento é de Alexandra Nobre, mãe de uma aluna de 7 anos, com paralisia cerebral, que estuda no 3º ano da Escola Municipal João Carlos Batista.
Alexandra foi uma das mães de alunos com deficiência que participaram na manhã de hoje, 20, na Escola João Carlos Batista, bairro da Cabanagem, do programa Ciranda da Família realizado pela Prefeitura de Belém através do Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes.
O programa reúne as famílias dos alunos com deficiência atendidos periodicamente nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRMs) para realizar a troca de experiências entre elas, fazer o acolhimento e prestar as orientações necessárias com a ajuda de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que compõem a equipe.
Com histórias parecidas, os pais se sentem à vontade para expor as experiências vividas. Durante o encontro, a equipe de profissionais realiza dinâmicas com o objetivo de fazer com que a família se aceite, se sinta valorizada e possa transmitir esse sentimento aos filhos.
“O que nós possibilitamos é o estreitamento entre a família e a educação especial para o bom desenvolvimento do aluno dentro da sala de aula e nas relações extraclasses. É fazer com que eles se sintam valorizados”, afirmou Iolanda Corrêa, professora referência da SRM do Distrito administrativo do Benguí.
Na SRM da escola 22 alunos com deficiência são atendidos nos turnos da manhã e da tarde. Entre as deficiências mais presentes estão a deficiência intelectual (DI), o autismo, paralisia cerebral e visual.
Para aumentar as habilidades das crianças, a professora responsável pela sala, Cléa Veras, afirma que usar os recursos tecnológicos são sempre uma boa opção. “Gosto de priorizar o uso da informática porque vem colaborando e muito para o desenvolvimento. O computador tem um grau de atratividade muito grande, principalmente para os que possuem deficiência intelectual”, argumentou.
A próxima escola a receber o programa será a Escola Municipal Ernestina Rodrigues, no próximo dia 24, no período da tarde.
Texto: Aline Saavedra